o riachense

Sexta,
31 de MarÁo de 2023
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E a população de Riachos, também vai renunciar?

√Č verdade que a malta de Riachos nunca foi muito coerente a votar. Umas vezes opta por uns e noutras escolhe outros e na maior parte das ocasi√Ķes sem que algo justifique a reviravolta. √Č tamb√©m verdade que essa coisa do bairrismo j√° foi ch√£o que deu uvas e os tempos actuais tornam tudo da mesma cor, um cinzento pardo. √Č verdade que a maltosa foge das coisas da pol√≠tica como o diabo da cruz e vai vegetando as poucas esperan√ßas que vislumbra e carpindo as m√°goas que lhe tolhem a vista √† falta de vida verdadeira no mexerico das redes sociais. √Č igualmente verdade que cada vez os fen√≥menos s√£o mais frequentes e j√° toda a gente acha tudo natural, depois de ter aparecido um porco a andar de bicicleta, dir√° o mais incr√©dulo, j√° acredito em tudo.
 
Da√≠ que quase me n√£o cause j√° grande espanto observar a pardacenta naturalidade e a bo√ßal indiferen√ßa com que se tem passado ao lado da recente ren√ļncia do presidente da Junta de Freguesia de Riachos e de todos os membros da lista que ganhou as elei√ß√Ķes aut√°rquicas h√° pouco mais de ano e meio. C√° para n√≥s que ningu√©m nos ouve, acho que esta decis√£o constitui a mais grave tomada de posi√ß√£o pol√≠tica aut√°rquica em Riachos nas √ļltimas d√©cadas.
 
Diga-se desde logo que nenhuma situa√ß√£o pol√≠tica justifica esta ren√ļncia. A tal ‚Äúalternativa cred√≠vel‚ÄĚ, lema de campanha em Setembro de 2013 do GRUPPO, revelou-se um completo logro. Vindo do nada, o candidato caiu no goto dos eleitores e arrebanhou a maioria das vontades eleitorais. Era uma lista de independentes, ou de pseudo-independentes, dizia-se, constitu√≠da por gente fora do espectro partid√°rio, embora contasse com o apoio expl√≠cito e impl√≠cito do PSD e figurassem nela alguns elementos conotados desde sempre com esse partido. E como se afirmavam independentes, fora desse espartilho partid√°rio, dizia-se, eram mais riachenses que os outros riachenses e levariam por certo esta terra a um bom futuro. Isso pensaram, concerteza, os eleitores.¬†
 
Os fregueses apostaram na tal alternativa cred√≠vel que foi sol de pouca dura, durou apenas pouco mais de ano e meio. Do GRUPPO n√£o se dir√° muito, a n√£o ser que pretendendo ser algo de unit√°rio e construtivo, deveria ter uma ideia qualquer para Riachos, uma s√≥ que fosse, um projecto ainda que mal-amanhado, uma contribui√ß√£o por mais atarracada que fosse, para melhorar a terra. Mas nada, um sil√™ncio sepulcral, um vazio total. Que dizer quando nunca se lhe ouviu a voz, e nem no leito de morte se lhe ouviu o mais pequeno murm√ļrio ou se leu um mero comunicado sobre a ren√ļncia de todos os seus membros? A mais completa das inexist√™ncias. E assim se v√™ o vazio de algo que nasceu, viveu e morreu apenas para formalizar uma candidatura. Candidatura essa que, pelos vistos, era completamente artificial e vazia de princ√≠pios, ideias e vontades.¬†
Antes, a gest√£o da freguesia, cheia de imobilismo e falha de capacidade de mobiliza√ß√£o das vontades e de ideias para a melhorar a vida dos riachenses, e agora a ren√ļncia total e incondicional, irrespons√°vel, sem brio nem honra, constitu√≠ram um mau exemplo no poder local, contribuindo de modo profundo para descredibilizar ainda mais a pol√≠tica, e deram um p√©ssimo servi√ßo a Riachos e √† sua popula√ß√£o que acreditou numa ilus√£o de vida curta.¬†
 
Apenas consigo retirar um aspecto positivo desta ren√ļncia colectiva: os chamados grupos de independentes ou de cidad√£os, que surgem como moralizadores da pol√≠tica e como verdadeiras alternativas cred√≠veis, n√£o passam as mais das vezes de grup√ļsculos sem projectos pol√≠ticos, criados apenas para a conquista do poder pessoal, sem que se possa responsabilizar algu√©m ou alguma entidade pelas suas posi√ß√Ķes pol√≠ticas. Este caso prova isso mesmo, se √© que a evid√™ncia precisa de ser provada. ¬†¬†
 
Est√° bem, dir√£o alguns, mas bateram o p√© √† C√Ęmara que estava a asfixiar esta terra, lutaram contra o poder municipal, tinham boa vontade, mas n√£o os deixaram fazer. Est√° bem, dir√£o outros questionando, mas o que conseguiram de palp√°vel para Riachos, o que ganhou esta terra com isso neste ano e meio de alternativa cred√≠vel? E o que ganha com a ren√ļncia? Claro que a resposta a ambas as quest√Ķes s√≥ pode ser uma: um rotundo nada.¬†
 
Dizem que a ren√ļncia se ficou a dever √† falta de respeito da C√Ęmara por esta terra. At√© pode ser, mas essa postura j√° existe h√° longos anos. Ou foi preciso chegar-se agora, muitos anos depois, a essa conclus√£o para justificar a ren√ļncia? √Č que a desculpa de sacudir as culpas para a C√Ęmara e atirar a toalha ao ch√£o perante as primeiras dificuldades, n√£o √© uma postura pol√≠tica aceit√°vel nem no poder local nem em lado algum. A novidade n√£o √© a C√Ęmara n√£o passar cart√£o a esta terra, como n√£o passa a outras, isso √© coisa antiga, a novidade √© algu√©m estar a dirigir os destinos desta freguesia durante um ano e meio, pensando certamente que a vida pol√≠tica de um presidente de junta, qualquer que ele seja, seria coisa f√°cil, e quando se apercebe de que a realidade aut√°rquica √© muito diferente da que imaginava, d√°-lhe uma veneta e renuncia ao mandato que a popula√ß√£o lhe havia conferido.¬†
 
Embora a C√Ęmara tenha muitas culpas pela situa√ß√£o que tem sido criada nesta freguesia, a responsabilidade a que isto chegou deve tamb√©m ser repartida por quem foi eleito para gerir uma freguesia e n√£o consegue fazer algo de vis√≠vel, percept√≠vel, ou ao menos algum trabalho de sapa, para contrariar a situa√ß√£o de dom√≠nio municipal. A responsabilidade da situa√ß√£o deve tamb√©m apontar-se √†s Juntas de Freguesia que nunca conseguiram tomar posi√ß√Ķes concertadas com as respectivas popula√ß√Ķes para conseguirem contrariar o negro panorama. E j√° agora, parece-me que a responsabilidade n√£o pode tamb√©m deixar de ser assacada a quem vota. Com quarenta anos de experi√™ncia eleitoral, ningu√©m pode ser virgem ou inocente nestas coisas.¬†
 
De vez em quando, como agora, fala-se na mudança de concelho, como se isso resolvesse alguma coisa e não fosse um sinal de fraqueza e uma fuga para a frente. Aliás, a perspectiva é de tal modo ridícula que não merece grande perda de tempo a pensar nela, e é fruto de alguma desorientação sobre a realidade e o futuro que se deseja, que grassa na população de Riachos, a qual, a avaliar pelos resultados eleitorais, tem um estranho prazer que parece ser da ordem do masoquismo político. 
 
Os representantes de uma população, eleitos por ela para gerirem a freguesia, não podem renunciar ao mandato com esta ligeireza e esta irresponsabilidade, sob pena de traírem essa mesma população. 
 
‚ÄúAs pessoas t√™m que fazer qualquer coisa. As pessoas que gostam disto. Eu gosto disto. N√£o sou de c√°, mas gosto.‚ÄĚ dizia Alexandre Simas em Setembro de 2013, em plena campanha eleitoral, ao jornal O RIACHENSE. E agora, o que v√£o fazer as pessoas que gostam disto? V√£o responsabilizar quem foi irrespons√°vel ou v√£o renunciar tamb√©m?

Actualizado em ( Quinta, 30 Julho 2015 11:09 )  
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