o riachense

TerÁa,
05 de Julho de 2022
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Henrique Reis: "O município vai ter que se repensar, que se redimensionar"

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‚ÄúMuitas vezes o Rodrigues tomou posi√ß√Ķes que mais pareciam de um homem de uma direita a lembar o passado ou de uma esquerda a lembrar o Staline, h√° estas duas vertentes nele. Ele conseguiu instalar em Torres Novas um regime‚ÄĚ

‚ÄúA primeira coisa que fazia era, n√£o sei se fecharia a C√Ęmara uma temporada, mas seguramente teria de fazer um levantamento exaustivo aos servi√ßos todos da C√Ęmara. Uma auditoria em condi√ß√Ķes‚ÄĚ

‚ÄúSe o PSD a n√≠vel nacional levar nas orelhas, ser√° um problema deles, pela sua conduta enquanto governantes. Nos munic√≠pios, localmente, n√≥s damos lugar aos nossos‚ÄĚ

 

Os sete mandatos na Junta da Chancelaria fazem de Henrique Reis o maior dinossauro das freguesias no distrito. Aos 68 anos quer devolver a C√Ęmara ao PSD.

 

Como caracteriza os 20 anos de PS e Rodrigues?

Penso que o Rodrigues teve duas fases. O trajecto inicial, quando no primeiro mandato nos ganha por uma minoria e aproveita tudo o que estava pr√©-definido. Tinha sido tudo definido no tempo do Casimiro Gomes Pereira e tinha sido conseguido pelo Arnaldo. E aproveita a circunst√Ęncia de todo esse trabalho. Na minha opini√£o, foi o seu melhor mandato.

Quis fazer obra, assentou num princ√≠pio de um indiv√≠duo que sabe o que quer. E da√≠ resulta o seu segundo mandato, em que faz obra. No segundo, j√° com maioria, inicia aquilo que eu considero o seu grande momento de gra√ßa. Depois tem os outros mandatos, a partir da altura em que ganha a maioria, e algo muda, no munic√≠pio e na pr√≥pria org√Ęnica da C√Ęmara. Isso √© latente.

A partir do terceiro mandato foi um continuar de coisas, umas bem sucedidas, outras mal sucedidas, outras definidas em cima do joelho. E a verdade √© que ele consegue transformar um concelho que tinha uma forma pr√≥pria de estar na pol√≠tica. Muitas vezes o Rodrigues tomou posi√ß√Ķes que mais pareciam de um homem de uma direita a lembrar o passado ou de uma esquerda a lembrar o Staline, h√° estas duas vertentes nele. Ele conseguiu instalar em Torres Novas um regime, Torres Novas tem estado h√° muitos anos sob um regime. Mas a culpa n√£o est√° s√≥ nele, est√° tamb√©m nos seus eleitos, nos vereadores e naqueles que s√£o o seu sustento na Assembleia Municipal (AM).

Neste √ļltimo mandato e parte do anterior, Torres Novas perdeu muito. Reconhe√ßo uma parte muito boa, uma parte razo√°vel e uma parte m√°, em termos de gest√£o, no seu todo.

 

Segundo a auditoria da Inspec√ß√£o das Finan√ßas (IGF), a C√Ęmara empolou os or√ßamentos durante v√°rios anos. O certo √© que, sem esse empolamento, n√£o teria conseguido fazer uma requalifica√ß√£o da cidade, da forma abrangente como a fez. Que avalia√ß√£o faz desta t√°ctica?

Penso que Torres Novas pagou caro isso. Torres Novas teve esse problema de querer somar ao bolo, quando o bolo j√° n√£o tinha condi√ß√Ķes para suportar mais bolos. E foi um acumular de bolos. Eu estou √† vontade porque sempre votei contra os or√ßamentos, porque sempre tive a percep√ß√£o exacta daquilo que estava a acontecer. E tem vindo a acontecer de forma degradante, em termos pr√°ticos. Neste momento, Torres Novas est√° a pagar bem caro essa ousadia. Da√≠ resultou um aut√™ntico bloqueio financeiro ao munic√≠pio, da√≠ n√£o haver capacidade financeira sequer para fazer a gest√£o corrente, onde para ir comprar um metro de massas para tapar um buraco, n√£o havia dinheiro.

Um indiv√≠duo com um m√≠nimo sentido de Estado, com um m√≠nimo sentido de razoabilidade da coisa p√ļblica, nunca deixaria que as estradas do concelho se degradassem e levassem anos e anos e anos para serem acudidas. Quem √© que paga com isto tudo? √Č o mun√≠cipe, o contribuinte.

Um castelo foi crescendo e não havia suporte e desmoronou. Quando nos apercebemos, estava já tudo de gatas. O relatório [da IGF] é catastrófico.

 

Os pr√≥ximos anos v√£o ser s√≥ para pagar os investimentos feitos? Haver√° solu√ß√Ķes para arranjar receitas para fazer mais obra?

Ou o pr√≥ximo executivo da C√Ęmara tem elasticidade para ir √† procura ou est√° condenado a parar. N√£o vale a pena termos ilus√Ķes. O munic√≠pio estrangulou completamente a faculdade que havia de crescimento. Penso eu que o munic√≠pio vai ter que se repensar, que se redimensionar, vai ter que haver algumas concerta√ß√Ķes. Penso que essa concerta√ß√£o tem que passar, na minha opini√£o, pelo acordo t√°cito entre os partidos na C√Ęmara e na Assembleia. Tem que haver um entendimento entre todos, sob pena e risco de este mandato ser um mandato completamente de fric√ß√£o.

 

Qual é a situação mais urgente que é preciso resolver no concelho?

A primeira coisa que fazia, n√£o sei se fecharia a C√Ęmara uma temporada, mas seguramente teria de fazer um levantamento exaustivo aos servi√ßos da C√Ęmara. Uma auditoria em condi√ß√Ķes. Depois, em face disso, com todos os vereadores, todos os representantes dos partidos na AM e com todos os presidentes de junta e diria-lhes: ¬ęmeus amigos, o ponto √© este, a partir daqui vamos encontrar solu√ß√Ķes¬Ľ.

Estar aqui a dizer que o problema da poluição é o mais grave, ou outro qualquer… não posso dizer isso sem se fazer o levantamento.

 

Como resolver os casos graves de poluição identificados no concelho, em especial no percurso do rio Almonda e seus afluentes até Riachos?

Apesar de todos os condicionamentos da C√Ęmara, tentar for√ßar junto da origem dessas fontes poluidoras. Quanto mais n√£o fosse, chamar aten√ß√£o para as pessoas, na sua qualidade de ser humano e na sua qualidade de cidad√£o, apelar no sentido de colaborarem. Tentava localmente, caso a caso, com as pessoas, ultrapassar a situa√ß√£o.

 

Quais as propostas concretas do PSD para contrariar o desemprego no concelho e a falta de dinheiro das pessoas?

Penso que Torres Novas deveria ter aproveitado a sua situa√ß√£o [geogr√°fica] privilegiada. Torres Novas era considerado o centro do progresso. Est√° a dois passos de F√°tima, que tem um potencial de turismo que √© uma coisa anormal. Torres Novas n√£o tira partido nenhum disso e tem condi√ß√Ķes excepcionais para mexer nessas √°reas. Estou-me a lembrar: as pegadas dos dinossauros est√£o no concelho de Torres Novas, mas quem beneficia com aquilo? Our√©m e F√°tima. As grutas do Almonda, o castelo, as igrejas, os moinhos da Pena‚Ķ

A maioria do potencial do turismo de Fátima foi para Tomar, Alcobaça, Batalha, Nazaré. Torres Novas está a ver passar navios há anos. O turismo em Torres Novas podia ser uma realidade. Os restaurantes podiam ter mais gente. Torres Novas, durante anos e anos foi uma localização de tasquinhas, de taberninhas… perdeu completamente esse tipo de características. Torres Novas precisa urgentemente de ir à procura de gente para investir.

Também em termos de zonas industriais: Torres Novas, Riachos, Entroncamento. Este circuito tem que funcionar.

Todos n√≥s nos lembramos dos largos milh√Ķes de euros que entraram na ind√ļstria em Torres Novas. O que √© que aconteceu √†s industrias? Chegaram, viram, venceram e fugiram. Isto aconteceu s√≥ por causa da crise nacional? Provavelmente vieram s√≥ √† procura das ajudas comunit√°rias e depois, zarparam.

 

Riachos precisa de uma Casa da Cultura? Ainda é uma questão fracturante.

Se n√≥s analisarmos friamente o que √© Riachos, a din√Ęmica que tinha h√° 20 anos, a envolv√™ncia, a vida, [conclu√≠mos que] precisava de ter uma interven√ß√£o que fosse ao encontro do conceito de vila. E Torres Novas n√£o tem tratado bem Riachos.

Se compararmos a din√Ęmica do Fernando Dias com a din√Ęmica dos presidentes de Junta dos √ļltimos anos, √© o mesmo que comparar uma noite de lua e uma noite de c√©u negro. N√£o tenho d√ļvidas nenhumas que, se Riachos tivesse uma Junta que se batesse, teria tido um pouco mais. Riachos tem que dar o salto. E numa altura destas, dificilmente o vai fazer. Porque tudo indicia que as coisas v√£o ser cada vez mais controladas e apertadas. O pr√≥ximo quadro comunit√°rio, se n√£o houver algu√©m que consiga ir √† procura de apoios fora de portas, dentro de portas vai encontrar muita dificuldade.

Riachos est√° num momento de encruzilhada. E uma coisa eu tenho a certeza, com o acordo t√°cito entre a Junta e a C√Ęmara PS, Riachos n√£o tem beneficiado absolutamente nada.

Com o nosso amigo Simas com a capacidade de saltar a rede, secundado pelo José Figueiredo a fazer as continhas, Riachos ficava com uma equipa de excelência.

 

As Juntas de Freguesia devem ser um bra√ßo das C√Ęmaras ou devem ter autonomia para realizar projectos pr√≥prios? Em termos de estruturas b√°sicas, onde est√° a linha que separa o que compete √† C√Ęmara fazer e √†s Juntas?

Isso √© muito complicado de definir. Eu conhe√ßo presidentes de C√Ęmara que n√£o decidem nada sem ouvir em primeiro lugar o presidente de Junta. Conhe√ßo outros que primeiro decidem e depois informam. Eu sou presidente de Junta h√° muitos anos, perten√ßo √† Anafre. Conhe√ßo presidentes de Junta do pa√≠s todo, e falo com eles sobre a rela√ß√£o que t√™m com a C√Ęmara, por isso √© que eu digo: bons parceiros de elei√ß√£o s√£o os presidentes de Junta. Se um presidente de Junta fizer um bom mandato, eu tamb√©m fa√ßo.

Se eu fosse presidente de C√Ęmara, transferia muita compet√™ncia para as Juntas. Eu n√£o aceito que um cidad√£o que viva no norte do concelho, para fazer um muro tenha de ir √† C√Ęmara a Torres Novas pedir autoriza√ß√£o. H√° coisas que n√£o fazem sentido. Antigamente quem queria tirar uma licen√ßa para c√£es, tinha de ir √† C√Ęmara. E foi o Henrique Reis que trouxe isso para a Junta, j√° l√° v√£o 20 anos. A C√Ęmara ficou prejudicada com isso? N√£o, e descentralizou.

 

A Turrisespaços parecer não ter viabilidade a longo prazo, mas o município nunca teve tanta e tão abrangente oferta cultural e desportiva. Qual é a avaliação que faz da empresa municipal?

A Turrisespa√ßos pode ser um problema de hoje e de amanh√£. J√° o foi de ontem. Para todos os candidatos que n√£o sejam do regime, fogem-nos completamente dados para nos podermos pronunciar com rigor. Gosto muito de falar daquilo que sei. √Č minha convic√ß√£o que a Turrisespa√ßos est√° exactamente como est√° o munic√≠pio. Primeiro analisar, e depois decidir. Dizer se √© para extinguir, se √© para manter, n√£o faz muito sentido. Ter√° seguramente algumas vantagens para o munic√≠pio. Mas temos de pesar as vantagens e as desvantagens.

 

Dadas as dificuldades econ√≥micas que se avizinham, a sua candidatura gostaria de dar continuidade √†s intensas programa√ß√Ķes do Teatro Virg√≠nia que fizeram de Torres Novas um caso raro de oferta cultural?

N√£o tenho d√ļvidas nenhumas que h√° coisas que est√£o bem conseguidas. Uma coisa o Virg√≠nia comigo iria fazer seguramente. Torres Novas tem muitas bandas, muitos ranchos, tem uma s√©rie de culturas que deviam ser devidamente explorados e, digamos, lan√ßadas. E o Virg√≠nia seria um bom espa√ßo. Isso seria promover Torres Novas e dar alguma sustentabilidade √†s bandas, aos ranchos, ao teatro, ao Choral Phydellyus, h√° uma s√©rie de coisas que podiam ficar bem.

 

Colabora√ß√£o efectiva com munic√≠pios vizinhos, situa√ß√Ķes concretas que identifique.

Enquanto andamos em campanha eleitoral, cada um tem o direito de puxar a brasa à sua sardinha. Puxou-se a brasa à sardinha, o povo votou. A partir dali só tem que haver uma preocupação, é fazer o melhor possível.

Os concelhos nossos vizinhos devem ser entendidos como gente da nossa terra. Estamos rodeados por v√°rios concelhos que t√™m todos os condimentos para que haja aqui uma boa centralidade. N√≥s √©ramos a centralidade e √† nossa volta havia um jardim que n√£o foi devidamente explorado. Mas azedaram-se as rela√ß√Ķes com o Entroncamento, com a Goleg√£‚Ķ e andamos aqui.

 

A quest√£o da A23. Manifestar uma posi√ß√£o de princ√≠pio √© tudo o que as C√Ęmaras podem fazer?

Torres Novas √© um centro estrat√©gico. Eu defendo o utilizador-pagador, porque n√£o devemos ter a percep√ß√£o de que tudo √© de gra√ßa. Mas uma coisa √© pagar o que se deve e outra coisa √© pagar o que n√£o se deve. Torres Novas est√° a pagar o que n√£o deve. Deveria ser uma das prioridades, uma preocupa√ß√£o juntamente com os outros concelhos. Hoje as C√Ęmaras t√™m algumas formas de criar uma press√£o sobre as pessoas certas. No per√≠odo p√≥s-eleitoral devia haver uma concerta√ß√£o entre todos para, junto da tutela, se ultrapassar essa situa√ß√£o.

 

Não teme uma conotação prejudicial em termos eleitorais da sua candidatura com o governo? E se for eleito um executivo de maioria PSD, é de esperar um alinhamento com as políticas do Governo?

Não, são coisas distintas. Se o PSD a nível nacional levar nas orelhas, será um problema deles, pela sua conduta enquanto governantes. Nos municípios, localmente, nós damos lugar aos nossos. Não estamos a julgar quem está em São Bento, estamos a julgar quem está em Torres Novas.

Eu percebo que os partidos que estão do outro lado façam essa colagem, é o jogo da política. Mas, quer dizer, eu nunca fui deputado nem secretário de estado, nunca tive nenhuma actividade no meu governo. Ninguém deve ser julgado por aquilo que terceiros fazem. Eu sou vítima ou beneficiado de Lisboa, como todos nós.

Por isso n√≥s apost√°mos na juventude, tenho hoje gente na lista que eu conheci na pr√©-prim√°ria. A lista para a C√Ęmara √© tudo gente 30/40 anos, que √© para tentar perceber para onde √© que sopra o vento. Porque a confronta√ß√£o entre gera√ß√Ķes tamb√©m pode dar para cima ou dar para baixo.

Portugal tem o direito de ter c√° a troika. Em nome da justeza e da clareza, acho que a troika devia ter subdelega√ß√Ķes para chegarem aos munic√≠pios. Para perguntarem aos senhores dos munic√≠pios, porque √© que deixaram crescer o endividamento das suas C√Ęmaras. Recentemente algu√©m dizia, o PAEL paga tudo. Isso √© uma ilus√£o. Aquilo n√£o √© dinheiro vindo do c√©u.

 

Falava-se noutro nome para encabeçar a lista do PSD, o que aconteceu e porque é que avançou o Henrique Reis? E a coligação, porque não avançou?

O capitão Pinto Reis foi-nos sugerido pelo CDS, na sequência de um acordo nacional de coligação. Foi entendido que para haver coligação teria de ser com um indivíduo independente. O PSD aceitou o nome. Fizemos um protocolo para a coligação, quantos lugares tinha o PSD, quantos lugares tinha o CDS, para as juntas de Freguesia… tudo alinhavado. Quanto tudo estava em vias de passar ao desfecho, o CDS decidiu retirar o apoio ao capitão Pinto Reis. Nós aceitámo-lo, apesar de ele estar hoje a fazer campanha pelo lado do PS… Daí ficámos um tempo em standby e depois tivemos que avançar.

Actualizado em ( Quarta, 25 Setembro 2013 16:42 )  
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