o riachense

TerÁa,
25 de Abril de 2017
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Trumpalhada Total

J√° tudo ou quase tudo foi dito sobre a elei√ß√£o de Donald Trump como 45¬ļ Presidente dos Estados Unidos da Am√©rica. N√£o quero aqui lan√ßar mais nenhuma teoria, seja ela partid√°ria, jornal√≠stica ou de pura (e assustadora) dorm√™ncia social. A raz√£o pela qual escrevo estas linhas deve-se somente ao facto de viver nos Estados Unidos contam j√° 3 anos, e igualmente ao medo pelas gera√ß√Ķes futuras.¬†

Enquanto rascunho estas palavras oi√ßo uma esta√ß√£o de r√°dio, a NPR, uma das poucas que ainda se d√° ao luxo de locutar, imparcialmente, tanto republicanos como democratas. N√£o √© bem pelo discurso pol√≠tico que a oi√ßo, mas antes pela boa qualidade musical e tamb√©m pela distrac√ß√£o de boas entrevistas a pol√≠ticos, actores, m√ļsicos, religiosos e outros tantos da esfera social que me d√£o a conhecer mais um pouco desta cultura t√£o vasta e confusa. Numa destas entrevistas, h√° poucas horas atr√°s, ouvia uma senhora a questionar algu√©m sobre o suposto ‚Äúgrande e lindo‚ÄĚ muro que Donald Trump tanto promoveu na sua campanha eleitoral. Respondia um senhor, dono de uma construtora multinacional, que para construir o muro que Trump tanto deseja, ter√° que ser paga uma quantia astron√≥mica de dinheiro, estimada entre os 15 e os 25 bilh√Ķes de d√≥lares.¬†

Eu c√°, assim numa quest√£o de segundos, lembro-me de um bilh√£o de outras coisas que se poderiam construir com 1% desse dinheiro. E isto √© que me assusta. Ter um Tio Patinhas √† frente de uma pot√™ncia global. O liderar de um pa√≠s aparece como um desafio econ√≥mico para este indiv√≠duo, e esquece-se a import√Ęncia de tornar uma na√ß√£o unida, constitu√≠da por ser-humanos, num exemplo mundial a seguir. Esta na√ß√£o nunca esteve mais fraca e dividida como agora.¬†

Voltando a espreitar o muro‚Ķ Esse foi edificado por diversas vezes na Hist√≥ria, e ela repete-se. Perturba-me que em pleno s√©culo XXI ainda exista um discurso t√£o pavoroso quanto o de Donald Trump. Esse discurso √© triste, pobre, mal articulado. Tudo por uma audi√™ncia de reality-show. Por diversas vezes tenho conversas em que me dizem o qu√£o envergonhados est√£o os americanos. √Č uma vergonha pelos valores de independ√™ncia, liberdade e multiculturalidade que os Estados Unidos produzem desde h√° muito tempo. A terra dos sonhos transforma-se numa triste realidade. √Č uma vergonha para as gera√ß√Ķes vindouras que v√£o crescer com este exemplo, estud√°-lo nas escolas e, infelizmente para alguns, segui-lo como exemplo de lideran√ßa.

Os valores que o novo presidente profetiza, sejam eles pol√≠ticos, morais ou culturais, s√£o estupidamente primitivos e irracionais. O futuro dos Estados Unidos, a meu ver, ir√° sofrer uma grande regress√£o e as consequ√™ncias ser√£o, provavelmente, desastrosas. Ali√°s, j√° o s√£o. T√™m sido noticiados, quase todos os dias, assaltos racistas e xen√≥fobos em escolas, ruas e estabelecimentos comerciais. N√£o que n√£o existissem antes - a Am√©rica j√° nos mostrou que, infelizmente, essa √© uma realidade dif√≠cil de arrancar. Por√©m, as raz√Ķes tornam-se agora, a olhos de muitos, justificadas, pela ‚Äúlimpeza‚ÄĚ profunda que Trump quer implementar no pa√≠s. E ningu√©m sai ileso: vemos mu√ßulmanos, sul-americanos, asi√°ticos, afro-americanos e seja quem for diferente do americano branco e das suas cren√ßas crist√£s, a tentar defender a sua identidade de puros actos de √≥dio, mesmo que tenham nascido numa Am√©rica livre. E pior ainda, estes exemplos alastram-se mundo fora.

A mim, dizem-me: ‚Äún√£o te preocupes, √©s branca e tens estudos‚ÄĚ. Um estranho sentimento assola-me a alma quando desdramatizam a situa√ß√£o. Por vezes √© dif√≠cil lidar com o receio de uma sociedade cruel, que se transforma todos os dias num c√ļmulo de p√Ęnico, medo pela liberdade de express√£o‚Ķ Mas onde √© que j√° vi isto antes?¬†

A verdade √© que ainda est√£o todos √† espera de ver se as ac√ß√Ķes ser√£o t√£o agressivas quanto se diz. Vejo imensa gente inquieta por saber se continuar√£o nos seus postos de trabalho, e at√© neste pa√≠s. N√≥s c√° em casa tamb√©m nos questionamos todos os dias. E a ansiedade paira no ar‚Ķ Talvez seja altura de voltar ao nosso cantinho aben√ßoado. Esperemos para ver!¬†

Raquel Carrilho
Estados Unidos da América

Actualizado em ( Domingo, 27 Novembro 2016 11:51 )  

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