o riachense

Domingo,
29 de Novembro de 2020
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P36 - Controlo da proliferação das colónias de felinos errantes

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Proposta 36 - Controlo da Proliferação das Colónias de Felinos Errantes na Freguesia de Riachos
Céu Simas 

É um projecto único, global e contínuo, que irá abranger toda a Vila de Riachos. Importa salientar que este projecto não se confina apenas à colocação de abrigos, mas essencialmente à captura, esterilização e recolocação dos animais no seu habitat tentando sempre que possível, após analisar o grau de sociabilização do animal, arranjar-lhe uma família adoptiva.

Existe uma situação real, que é a existência de várias colónias de felinos, alimentadas pela população, muitas vezes sem quaisquer condições de higiene e sem qualquer controlo veterinário, colocando em causa a saúde pública. Desta forma, consideramos ser importante implementar um projecto que controle o aumento de felinos e de colónias, criando condições para que as pessoas os alimentem, mas que mantenham o local limpo e em que o controle da natalidade e de doenças seja uma realidade.

Pretende-se com este projecto, que tem na sua génese o programa CER (Captura-Esterilização-Recolocação), garantir o controlo da natalidade de 5 colónias existentes na Vila de Riachos, ficando a sua captura, recobro pós cirurgia e devolução ao mesmo local, onde serão criados abrigos para a alimentação e protecção desses animais de uma forma ordenada, limpa e devidamente assinalado e controlado, a cargo da proponente, com o apoio de um grupo de amigos dos animais. 

Ao longo dos anos surgiram em países de todo o mundo programas de acção com vista ao controlo da população de animais errantes. Conhecidos em Portugal como programas CER (programa de Captura-Esterilização-Recolocação) estes programas assentam na ideia de que esta medida é a forma mais eficaz no controlo da população animal uma vez que, ao manter os animais no seu local habitual, se torna menos provável, por defesa do território com exclusão de novos elementos, a ocupação do mesmo por outros animais. 

Especialmente direcionados para os gatos que, pelas suas características comportamentais e capacidade reprodutora representam maiores dificuldades de controlo, os programas CER permitem manter a comunidade animal, impedindo que se mantenha o ciclo reprodutivo de machos e fêmeas, reduzindo drasticamente a transmissão de doenças entre os elementos da comunidade e eliminando comportamentos incómodos tais como lutas territoriais e competição por comida e abrigo. 

Programa CER (Captura-Esterilização-Recolocação) -  Considerado por muitos como o “método mais humano, eficaz e economicamente viável para controlar e reduzir a população de gatos” que, por abandono ou incúria dos seus donos, fazem da rua a sua casa, o impacto positivo a curto, médio e longo prazo é claramente visível logo após a implementação do programa.

O processo envolve a captura dos gatos de uma colónia, a sua desparasitação, esterilização, um pequeno corte na orelha esquerda para fins de identificação e, por fim, a recolocação do animal no seu território habitual. Sempre que possível, os animais adultos meigos e as crias, que ainda estejam em idade de sociabilização, são retirados das colónias e encaminhados para adopção. Um prestador de cuidados fornece comida e abrigo aos gatos devolvidos, monitoriza a colónia à procura de elementos novos e faz a mediação dos conflitos que possam surgir entre os gatos e a comunidade envolvente. 

O programa CER oferece uma série de vantagens tanto para as colónias como para a comunidade. Dado que se trata de um conceito relativamente novo, o que implicará que muitas pessoas não entendam o “porquê de esterilizar e de devolver os gatos ao local onde foram encontrados”, como defensora deste tipo programa passo a explicar quais as vantagens na sua implementação na vila de Riachos onde, como todos nós sabemos, são cada vez mais os gatos que se encontram ao abandono

Esterilização e Recolocação - Vantagens para a comunidade

1. Não haverá mais ninhadas e a população de gatos irá diminuir com o tempo.
Se todos os gatos forem esterilizados não haverá mais ninhadas. Se eventuais novos elementos da colónia forem rapidamente capturados e esterilizados, ou entregues para adopção, o tamanho da colónia irá diminuir, consideravelmente, com o tempo.

2. Redução drástica do barulho.
Grande parte do barulho proveniente de uma colónia fértil tem origem no acasalamento e nas lutas territoriais, comportamentos esses que são fortemente reduzidos com a esterilização.

3. O cheiro torna-se muito menos intenso. 
Os machos inteiros marcam o seu território com urina carregada de testosterona, dando origem a um cheiro especialmente forte e desagradável. Os machos esterilizados, pelo contrário, irão marcar muito menos o território e, em muitos casos, deixam de o fazer por completo.

4. Controlo de roedores.
Os gatos são um método natural e muito eficaz no controlo da população de roedores, principalmente devido ao seu cheiro. Devolver os gatos ao seu território vai permitir que este controlo se mantenha. “Um gato, mesmo que bem alimentado, continua a caçar”, o que evita o crescimento de pragas que podem ser portadoras de doenças.

5. Uma colónia mais saudável e livre de parasitas.
A esterilização, alimentação regular e abrigos adequados melhoram substancialmente a saúde da colónia. Uma das vantagens é haver muito menos parasitas, tais como pulgas. 

6. Exclusão do factor pena/tristeza.
As pessoas que vivem perto da colónia deixam de se deparar com cenários miseráveis de gatos esfomeados ou crias moribundas.

7. A presença de um prestador de cuidados.
 Com o programa CER, haverá sempre alguém responsável pela colónia, para cuidar dela e tratar de quaisquer problemas que possam surgir com a vizinhança.

8. Quebra de ciclo de repovoamento.
Evita a criação de outra colónia, nova e não esterilizada. Retirar a maioria ou todos os gatos de uma colónia deixa o território aberto para ser novamente colonizado. Gatos novos e inteiros tomarão o lugar dos anteriores e os problemas antigos regressarão (efeito de vácuo). Esterilizar a colónia e deixá-la no seu território quebra este ciclo de repovoação. 

As vantagens do programa CER, quando estendido a toda a comunidade, vão muito para além de cada colónia individual:

A) Menos gatos silvestres e vadios em toda a comunidade. 
Estudos recentes mostram que quando, numa dada área geográfica, 70% dos gatos de uma colónia se encontram esterilizados, os nascimentos diminuem e a população estabiliza. Acima dos 70%, a população começa a decrescer, diminuindo drasticamente.

B) Menos eutanásias. 
A existência de menos gatos silvestres na comunidade devido ao programa CER resulta em menos casos de eutanásia nos canis municipais, por dois motivos: em primeiro lugar, aparecem menos gatos silvestres e inadoptáveis, cujo destino é, quase sempre, serem abatidos; em segundo lugar, havendo menos gatinhos silvestres a nascer, haverá mais espaço nos abrigos de associações de animais e mais lares para gatos domésticos abandonados ou perdidos que, de outra forma, seriam eutanasiados por falta de recursos.

C) Menos queixas às entidades camarárias.
Um declínio da população felina devido a programas de CER significa menos aborrecimentos para a comunidade em geral (miados, lutas, marcação de território, estragos em automóveis, fezes, etc.) e, consequentemente, menos queixas às entidades camarárias.

D) Mobilização de acções de voluntariado e maior cooperação dos prestadores de cuidados.
Ao contrário do que acontece com as actividades de captura e abate realizadas pelos canis municipais, o programa CER é pró-vida o que lhe confere a capacidade de mobilizar um “exército” de voluntários, essencial para pôr um fim à superpopulação de gatos silvestres.

E) Maior cooperação dos prestadores de cuidados.
Os prestadores de cuidados conhecem o paradeiro dos gatos, os seus hábitos e números, e são eles que podem deixar de alimentar os gatos para facilitar a sua captura. A cooperação destas pessoas e o envolvimento de voluntários é fundamental para se conseguir um controlo populacional bem sucedido. O programa CER é bem visto pelos prestadores de cuidados e pelos voluntários envolvidos por não prejudicar os gatos, enquanto que as actividades de captura e abate dão origem à sua resistência e falta de cooperação.

F) Relações Institucionais vantajosas.
Se as entidades camarárias apoiarem o CER em vez de praticarem a captura e abate dos animais, a sua imagem pública melhora. Isto dará origem a mais voluntários, mais pessoas a deslocarem-se aos canis/gatis municipais para adoptar animais e maior resposta financeira aos apelos.

Concluindo… esta candidatura aos apoios do Orçamento Participativo diferencia-se de todas as outras propostas seleccionadas, porquanto o programa CER (Captura-Esterilização-Recolocação) procura desenvolver actividades com o apoio único de voluntários, envolvendo a população e não tendo como base o simples apoio financeiro, apoio este que apenas incidirá nas acções de esterilização dos animais e criação de abrigos para alimentação e protecção dos mesmos, ficando a limpeza e manutenção dos espaços, alimentação dos animais e os cuidados veterinários que se vierem a verificar a cargo dos cuidadores voluntários sem qualquer tipo de remuneração.
 
Céu Simas
 
 
Actualizado em ( Domingo, 08 Novembro 2015 21:15 )  
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