o riachense

SŠbado,
23 de Setembro de 2017
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O recomeço da continuidade?

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Este Verão, de aquecimento para a campanha eleitoral que marcará aquilo a que se convencionou chamar a reentrada nos quotidianos normais, após uns dias de férias ou de pausa nas rotinas do resto do ano, esboçamos uns sorrisos tristes com os anedóticos cartazes de propaganda do PS e da coligação do governo.

Uns, que parecem nem saber muito bem de que é que andam a falar, inventaram uns personagens para interpretar umas histórias tristes, infelizmente verdadeiras. Outros, que sabem muito bem do que não lhes convém falar, foram lá fora contratar uns bonecos a uma agência de modelos para melhor atirar para o ar uns pós cor-de-rosa e uns fumos de ilusão de feira, pouco ralados já em saber se a coisa pega ou não.

Uns e outros, que de há décadas para cá se apropriaram do País e do estado repartindo entre si o saque dessa conquista, noutros tempos mais esperançosos apenas teriam dado origem a umas piadas com pouca graça mas sem grande mossa, que a gente tinha mais que fazer e tudo isto passaria rapidamente.

Agora, no entanto, aqueles cartazes produzidos pelas mesmas ag√™ncias de comunica√ß√£o e com as mesmas t√©cnicas com que se vendem sabonetes ou autom√≥veis, s√£o bem mais que mera incompet√™ncia ou pouco siso. S√£o s√≠mbolos bem claros do vazio de ideias e de projectos de sociedade com que aqueles partidos se apresentam ao eleitorado, mas tamb√©m s√≠mbolos de como isso j√° pouco (lhes) importa, porque a pol√≠tica agora √© outra coisa e nessa ‚Äúpol√≠tica‚ÄĚ do ru√≠do e dos neg√≥cios eles s√£o mestres, e isso lhes basta.

J√° h√° muitos anos, apanhando muitos de n√≥s distra√≠dos ou pouco convencidos, estes tempos ba√ßos e indefinidos tinham sido anunciados por quem trabalhava activamente para que eles chegassem. Margaret Thatcher, primeira-ministra brit√Ęnica, dizia alto e bom som: n√£o existe essa coisa da ‚Äúsociedade‚ÄĚ.

O desenho do futuro-agora-presente estava feito, mesmo que n√£o tivesse sido imediato. O que passaria a haver, como agora bem sabemos, seriam tempos de circunst√Ęncias e interesses

E nesses tempos, que s√£o os que vivemos, as circunst√Ęncias e os interesses privilegiam quem melhor est√° preparado para eles, se for preciso, nem que seja √† custa de todos os outros.

Ser√° este simulacro de realidade ‚Äď e da apresenta√ß√£o do seu simulacro maior, a da ‚Äúinevitabilidade dessa realidade‚ÄĚ ‚Äď que definir√° a encena√ß√£o da pol√≠tica que nos espera nessa tal reentrada no mundo-de-todos-os- -dias, um recome√ßo da continuidade que nos levar√° ao ritual esvaziado marcado para 4 de Outubro.

Mas havendo tamb√©m nesse dia elei√ß√Ķes para Riachos, por muito limitada que seja a possibilidade de ac√ß√£o institucional que delas resultar, h√° tamb√©m oportunidade ‚Äď ainda! ‚Äď de apresentar ideias, de sonhar com outros modos de viver a terra, de convocar discuss√Ķes e hip√≥teses, tentando com elas entreabrir uma porta para outros futuros. √Č isso que vamos procurar trazer nas nossas p√°ginas neste e no pr√≥ximo n√ļmero, sem procurar sobreposi√ß√Ķes nem abafar os programas partid√°rios nem tentar marcar a agenda eleitoral, continuando a crer que as organiza√ß√Ķes pol√≠ticas ainda s√£o da maior import√Ęncia na media√ß√£o da interven√ß√£o na vida colectiva.

Mas com a esperança que as vozes que formos apresentando se lhes possam somar e sejam sementes para muitas outras e que as ideias floresçam e dêem frutos.

Actualizado em ( Quinta, 27 Agosto 2015 10:01 )  

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