o riachense

SŠbado,
13 de Julho de 2024
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Carlos Paula Sim√Ķes

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Venenos pela porta dentro


A quantidade de produtos t√≥xicos que nos rodeiam no dia-a-dia √© alucinante. Todos os dias o comum cidad√£o europeu respira e ingere um verdadeiro cocktail de subst√Ęncias complexas, produzidas e comercializadas pelas maiores corpora√ß√Ķes mundiais, desenvolvidas alegadamente para fazerem frente √† necessidade de aumentar a produ√ß√£o alimentar de um planeta que alojar√° dentro de pouco mais de 30 anos aproximadamente 10 mil milh√Ķes de pessoas, muito acima dos cerca de 7 mil milh√Ķes actuais.

Para produzir essa comida, entrámos num círculo vicioso alucinante de atentados ao equilíbrio natural, onde pontificam as culturas geneticamente modificadas e os pesticidas especificamente criados para estas.

Um efeito perverso desse c√≠rculo vicioso, deriva da forma que a natureza encontra sempre de ultrapassar obst√°culos: a adapta√ß√£o. E o que se tem assistido desde a d√©cada de 70 do s√©culo passado, √© ao aparecimento de estirpes de pestes resistentes, super-insectos e super-ervas daninhas, a que se seguem o desenvolvimento e a aplica√ß√£o de novos ‚Äúsuper-pesticidas‚ÄĚ. A resist√™ncia a pesticidas √© um dos principais desafios para a produ√ß√£o agr√≠cola, para a sa√ļde humana, e j√° foi registada para praticamente todos os grupos de pesticidas.

Por muito que nos digam que n√£o √© for√ßoso que a sua utiliza√ß√£o seja perigosa, o facto √© que os pesticidas muitas vezes s√£o massivamente utilizados sem que haja a no√ß√£o das suas consequ√™ncias sobre o ambiente e sobre a sa√ļde humana a longo prazo, ou at√© mesmo a m√©dio prazo. Cancro, esterilidade e envenenamento s√£o apenas alguns dos efeitos indesejados provocados pelos res√≠duos de pesticidas que ficam nos produtos hortofrut√≠colas. Al√©m destas consequ√™ncias para a sa√ļde humana, os pesticidas provocam a contamina√ß√£o dos recursos h√≠dricos, a morte de peixes nos rios, acabam por chegar √†s torneiras dos consumidores e acumulam-se ao longo da cadeia alimentar. Omn√≠voros que somos, no topo da cadeia alimentar, acumulamos mais pesticidas no nosso organismo do que os animais herb√≠voros de que nos alimentamos.¬†

Contesta-se a fiabilidade dos m√©todos que avaliam a toxicidade dos pesticidas, em particular os efeitos de exposi√ß√£o acumulada e duradoura a estas subst√Ęncias. Quest√Ķes importantes permanecem sem resposta sobre os riscos potenciais de contamina√ß√£o dos seres humanos, e do meio ambiente, por pesticidas. Hoje em dia existem normas e orienta√ß√Ķes dispon√≠veis apenas para um n√ļmero limitado de produtos e n√£o para as misturas de pesticidas ou para os produtos de degrada√ß√£o destes.¬†

No passado m√™s de Mar√ßo, a Autoridade Europeia de Seguran√ßa Alimentar anunciou que quase metade dos alimentos consumidos na Europa apresentam res√≠duos de pesticidas, apesar de a maioria estar dentro dos limites legais e provavelmente sem efeitos na sa√ļde. Provavelmente. Porque o que ontem nos foi vendido como perfeitamente seguro, pode muito bem amanh√£ ser declarado como absolutamente mortal.¬†

N√£o se pense que apenas a agricultura contribui para a nossa exposi√ß√£o a estes produtos t√≥xicos. Os pesticidas encontrados nos principais rios e aqu√≠feros reflectem contribui√ß√Ķes quer de √°reas agr√≠colas, quer de √°reas urbanas e, neste √ļltimo caso, sobretudo insecticidas e herbicidas.

√Č por isso importante que a gest√£o de pestes no espa√ßo urbano seja tamb√©m ela sustent√°vel, no sentido de impedir a press√£o selectiva que leva ao aparecimento de esp√©cies resistentes, evitar a contamina√ß√£o de solos e √°gua e, finalmente, mas n√£o menos importante, preservar a sa√ļde presente e futura de quem vive nesse espa√ßo.

√Č √≥bvio que os fabricantes dos pesticidas incentivam a sua utiliza√ß√£o em detrimento de m√©todos alternativos. E se na explora√ß√£o agr√≠cola tais m√©todos podem ser mais custosos de implementar, nas nossas autarquias √© uma quest√£o de vontade. Vontade de optar pelo que poder√° a curto prazo parecer mais dif√≠cil, mas a longo prazo poder√° vir a fazer toda a diferen√ßa na qualidade de vida dos habitantes das nossas cidades, vilas e aldeias. A restri√ß√£o volunt√°ria da utiliza√ß√£o de pesticidas nas √°reas urbanas √© uma das express√Ķes dessa vontade.

Deixo aqui o apelo aos nossos autarcas para que se mantenham atentos e actualizados no que diz respeito aos produtos t√≥xicos usados pelos seus servi√ßos de controlo de pestes e que procurem alternativas √† utiliza√ß√£o desses produtos. Como disse atr√°s, o que ontem era seguro, pode ser hoje fatal. Veja-se o herbicida glifosato, largamente utilizado pelos nossos servi√ßos municipais para controlo de ervas daninhas: h√° menos de um m√™s a Ag√™ncia Internacional de Pesquisa sobre o Cancro, que integra a Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde, referiu que o glifosato foi encontrado no ar, na √°gua e nos alimentos, que a popula√ß√£o em geral est√° particularmente exposta quando vive pr√≥ximo de √°reas tratadas e que a exposi√ß√£o a este herbicida pode provocar o aparecimento de linfomas ou cancros no sangue.

Os nossos autarcas devem ter em conta esta nova realidade e devem, por sua pr√≥pria iniciativa, fazer o que se exige: banir a aplica√ß√£o deste produto, entre outros. Mesmo que isso lhes saia mais caro: a sa√ļde n√£o tem pre√ßo. Tenham a coragem de sacudir o comodismo e, de caminho, a opress√£o das multinacionais dos venenos.

Actualizado em ( Quarta, 08 Abril 2015 10:21 )  
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