o riachense

Sbado,
05 de Dezembro de 2020
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

João Pedro, campeão da Columbófila de Riachos: “Não há segredo nenhum. É ter pombos bons e tempo para os tratar”

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF
Há três tipos de columbófilos: “quem tem tempo para tratar dos pombos, quem tem dinheiro para pagar a um tratador e quem não tem tempo para tratar dos pombos”.

João Pedro foi campeão da Columbófila de Riachos na segunda temporada em que ali competiu. A história da equipa que formou com o seu pai, Júlio Pedro, há mais de 40 anos é de grande sucesso. Foram campeões vezes sucessivas em Torres Novas, Alcanena e Meia Via. Nas aldeias onde residiram nunca houve colectividade, de maneira que foram procurando as melhores alternativas. O pombal fica em Parceiros de Igreja e João Pedro, já sem o seu pai, teve de esperar para ingressar na de Riachos.
 
Antigamente, a Sociedade Columbófila de Riachos não era permeável a membros de fora da terra. Mas nos últimos anos, por força da necessidade de renovação do corpo de competidores, não houve outro remédio. Depois de 20 anos em Alcanena, onde se tornou “monótono” ficar quase sempre em 1.º, há dois anos foi aceite em Riachos e na primeira temporada classificou-se em sexto na classificação geral e segundo na categoria de fundo. Na segunda temporada, 2014, ganhou a geral, ficou em segundo nas principais categorias (velocidade, meio-fundo e fundo) e em terceiro nos yearlings. Nas 18 provas que foram feitas, tirou três primeiros lugares.
 
Mas duas épocas e um título de campeão em Riachos não o levam a embandeirar em arco, porque “um bom columbófilo não se vê com a classificação de um ano, mas sim do historial, porque os percalços também acontecem aos melhores”. Mas assume, sem falsas modéstias, que é um dos melhores, porque apesar de, em Alcanena ter tido pouca competição (porque são poucos columbófilos), a nível distrital está entre a meia dúzia com melhor palmarés.
 
A chegada a Riachos foi mesmo um tónico de competitividade. “Aqui há bons concorrentes, é uma colectividade muito forte, que eu já conheço há muitos anos”. A componente afectiva acompanha sempre João Pedro, que diz ter aprendido muito com o pai, que, na prática, depois se tornou o seu braço direito. Apesar de ter falecido há quatro anos, a sua equipa continua a designar-se Família Nascimento Pedro, em honra ao velho columbófilo.
 
O pai, que foi motorista do camião da associação durante algum tempo, introduziu-o nos meandros da columbofilia da região. Júlio Pedro manteve uma forte camaradagem com os columbófilos de Riachos, herdada pelo filho. João ficou emocionado quando, após a vitória da temporada passada, vários columbófilos mais velhos lhe disseram: “é que o teu pai gostava de estar aqui para te ver…”.
 
Aos 55 anos, mostra um discurso pouco optimista face ao futuro da modalidade. Começa a haver falta de praticantes e, também na família Nascimento Pedro, não deve haver continuidade depois de se retirar. Tem duas filhas, mas não estamos no Norte, onde há bastantes mulheres a competir. Só se, por acaso, aparecer um neto, diz João Pedro, é que existe alguma hipótese de passar o ‘bichinho’, mas até isso seria um facto invulgar nos dias de hoje. Por isso, conclui “Riachos é uma boa colectividade para acabar a carreira” diz. 
 
“Riachos teve sempre uma tradição de boa columbofilia”, refere. Hoje em dia, o Jacinto é, sem dúvida, um dos melhores a nível nacional, “está sempre lá”, é o que tem melhor palmarés em Riachos. E depois há as glórias, que o marcaram desde novo, quando andava com o pai, como o Júlio Serôdio, o João da Vaca, o Castelo, o Manuel Actor, o Carlos Trincão Marques, entre outros. Este último é um exemplo paradigmático da columbofilia riachense: bairrista e solidária, avalia o praticante de Parceiros de Igreja. Trincão Marques (já retirado) tinha o poder económico para comprar bons pombos e para contratar tratadores, e partilhava sempre os seus pombos com os colegas. “Além de bairristas, os concorrentes de Riachos são amigos. Trocam sempre bons pombos entre si”, o que leva ao desenvolvimento de uma competição boa e saudável, garante, satisfeito.
 
Expectativas para a temporada que vai começar? Não há. “Em Riachos só podemos ter a esperança de ganhar. Porque há adversários mesmo muito bons”, nomeadamente alguns que já são aposentados e são praticamente “profissionais” da columbofilia.
 
É, na sua opinião, a falta de competitividade que leva a que no distrito (onde competem perto de 10 mil atletas) a columbofilia não vá mais longe. Há três tipos de classificação, a local, regional e a nacional e no primeiro nível há campeonatos muito pequenos em Santarém, várias colectividades com sete, oito participantes, no concelho de Tomar por exemplio, mas também as de Alcanena, Minde ou Meia Via já têm poucos (Riachos tem pouco mais de 30). Os concorrentes não evoluem. “Valia mais as colectividades que têm poucos participantes unirem-se” em núcleos maiores. “Se deixarem o bairrismo de lado, tornava-se mais competitivo, do ponto de vista desportivo, apurava-se a qualidade dos pontos, era maior o número de concorrentes, havia mais competitividade, mais organização, e uma maior selecção de pombos”. A sua proposta é que se faça a recolha dos cestos para as provas em menos sítios, em vez de o camião ter de ir a todas as colectividades. A poupança de três ou quatro horas em que os pombos têm de estar dentro do camião, situação que lhes causa desgaste, seria benéfica. A nível distrital não se reflecte a falta de competitividade, “porque estamos em igualdade de circunstâncias, mas a nível nacional, ganharíamos muito”. 
 
A columbofilia “é um desporto para o pombo, mas também é um desporto para o columbófilo”, garante. “Dá muito trabalho, se alguém quiser ganhar, tem de ser muito metódico e disciplinado”. Os pombos treinam todos os dias duas vezes, ao sábado é o encestamento e ao domingo as provas. O quotidiano de um columbófilo campeão é tramado. Todos os tempos livres são gastos com os pombos, a família ressente-se. No verão tem que se levantar todos os dias às cinco da manhã. A actividade agora desgasta-o mais do que anteriormente, quando desdobrava os trabalhos com o pai.
 
“Não quero tirar o mérito quem não ganha, há pessoas que não conseguem chegar a campeões, só porque não têm tempo para o ser”. Torna-se pois uma competição desigual, porque não basta ter bons pombos. Há três tipos de columbófilos: “quem tem tempo para tratar dos pombos, quem tem dinheiro para pagar a um tratador e quem não tem tempo para tratar dos pombos”. 
 
Mas qual o método e os truques que utiliza? Dá-nos umas dicas.
As instalações são um aspecto importante. Ter boas condições e espaços separados para os diversos tipos de tratamento. São impressionantes as condições dos pombais de João Pedro, com nove espaços diferentes, cada um com as suas características específicas.
 
Mas a melhor sugestão que dá a um criador é a observação. “Temos de ser muito bons observadores. Temos de notar diferenças mínimas na forma de estar do pombo, para prever quando é que ele vai adoecer. Nos treinos temos de ver se estão a voar bem ou se estão a pousar muito. O discernimento é mais importante do que o que está nos livros”, aponta.
 
A alimentação é um bom exemplo de como a observação é importante. Recusa completamente pesar a ração dos pombos. “São como as pessoas, comem enquanto tiverem fome”. Um truque que utiliza é dar-lhes a comida boa em primeiro lugar e depois dar-lhes a menos saborosa, a cevada. Com a cevada, eles param de comer assim que deixam de ter fome.
 
João Pedro é um crítico acérrimo do excesso de medicação. “Há laboratórios a mais, e os laboratórios vivem das vendas” diz, por isso é preciso ter cuidado com certos aconselhamentos técnicos. O excesso de produtos químicos intoxica os pombos. “Um bom atleta tem de ter os rins e o fígado a 100%”, ilustra. E assim volta ao tema do tempo e da dedicação obrigatória: “é preferível ter os pombais sempre limpos, trocar a água várias vezes, haver higiene, do que estar sempre a dar antibióticos, porque os pombos, depois quando falta o antibiótico, adoecem muito facilmente”. Vitaminas sim, isso é um elemento essencial, e há que saber doseá-las.
 
Mas claro que é importante ter boas raças de pombos. João Pedro investe com frequência e reforça o seu pombal com raças de pombos que “estão no topo”. Este ano comprou espécimes da Holanda, Alemanha, Inglaterra e Suíça para fazer criação de novos campeões.
 
Antigamente os leilões rendiam. Chegou a ir fazer mil contos a vender pombos em leilões. Agora, diz, se fizer mil euros, a dividir com a colectividade, é uma sorte. Mal chega para a ração de dois meses, por isso arrisca a dizer: ninguém em Portugal faz lucro com os pombos.
O campeonato da Sociedade Columbófila de Riachos está quase a começar. Depois de dois meses de treinos, os columbófilos já esfregam as mãos para o começo da nova temporada. A primeira prova, Villagarcia, é já no dia 21, uma prova de velocidade de cerca de 270 quilómetros.
 

 
Actualizado em ( Sexta, 27 Fevereiro 2015 16:15 )  
{highslide type="img" height="200" width="300" event="click" class="" captionText="" positions="top, left" display="show" src="http://www.oriachense.pt/images/capa/capa801.jpg"}Click here {/highslide}

Opinião

 

António Mário Lopes dos Santos

Agarrem-me, senão concorro!

 

João Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária