o riachense

TerÁa,
25 de Abril de 2017
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Os Casais dos Castelos

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Carlos Manuel Pereira

Diz Artur Gon√ßalves na sua obra Mosaico Torrejano1, ‚ÄúEst√£o os Casais dos Castelos situados actualmente na freguesia de Riachos e antes na de Sant¬īIago. Pluraliza√ß√£o de Casal do Castelo, que deve seu nome ao facto de naquele s√≠tio ter existido em remotas eras um castelo, cuja origem se ignora... O povo diz comummente Casais Castelos, suprimindo a preposi√ß√£o, como faz a Casais Galegos, Casais Romeiros, etc.‚ÄĚ.

A refer√™ncia mais antiga respeitante a estes Casais, diz que ‚ÄúAos dezasseis dias do mez de Janeiro de mil e seis centos e setenta e oito anos faleceo Emgracia Rodriguez vi√ļva de Manoel Fernandez Castello morador no espragal no cazal do Castello...‚ÄĚ.
 
Vamos considerar que esta fam√≠lia foi a fundadora da povoa√ß√£o ao estabelecer a√≠ um casal que, naturalmente, adoptou o nome do seu primeiro propriet√°rio, para concluir que afinal o castelo que existiu, em remotas eras, no s√≠tio desses Casais foi o Manuel Castelo2, e, ao longo dos tempos, √† medida que se sucederam as gera√ß√Ķes dos Castelos, os registos foram-lhe chamando Casal do Castelo, Casal dos Castelos e Casais dos Castelos, o que parece ser uma sucess√£o pura e simplesmente l√≥gica. De facto, desde 1678 os Castelos mantiveram a√≠ v√°rios ramos descendentes da fam√≠lia ‚Äúfundadora‚ÄĚ e, apesar de na segunda metade do s√©c. XIX ter ocorrido uma significativa transfer√™ncia de fam√≠lias para o lugar dos Riachos, no in√≠cio do s√©c. XX os Castelos estavam representados em pelo menos 12 das quase 40 fam√≠lias residentes nos Casais. Entretanto o lugar j√° servia de refer√™ncia no mapa dessa √©poca, como comprovam registos do tipo ‚ÄúCasal de Marcos Ferreira3 dos Casais dos Castelos‚ÄĚ ou ‚ÄúCasais Redondos dos Casais dos Castelos‚ÄĚ.

No texto anteriormente publicado com o t√≠tulo ‚ÄúOs ricos, os remediados e os pobres desalmados‚ÄĚ refere-se a exist√™ncia de dezenas de propriedades que ficaram vinculadas √† manuten√ß√£o da capela do tal fidalgo Henrique de Sousa com obriga√ß√£o de lhe rezarem pela alma para todo o sempre.Ora na sequ√™ncia de pesquisas relacionadas com o dito fidalgo, surgiu um documento4 datado de 1860 que refere essas propriedadescom os diversos casais instalados nelas, e que se estendiam dos Casais Castelos at√© aos casais das Vaginhas (no centro do Entroncamento) e outros a Nascente e a Sul do lugar dos Riachos. Na maioria dos casos, √† semelhan√ßa do Casal do Castelo, tomavam o nome, ou alcunha, do seu fundador certamente por n√£o existirem nesses locais outras refer√™ncias antes conhecidas. Assim surgiram v√°rias designa√ß√Ķes:
 
Casal do Seco (1668)5, Casal da Formiga ou dos Formigos (1670), que foi da Maria Formiga.Casal do Farinha (1672), junto do lugar dos Riachos (o apelido Farinha é um dos mais antigos no Espargal), Casal de João Jorge (1692), Casal de Bernardo Reis (1696), Casal do Maricas ou do Desbarbado (1671),Casal do Magro (1690) e Casal de Marcos Ferreira Soares (1751).Apenas em tempos mais recentes, surgem nomes como Casal das Flores (1896) ou Casal da Amendoeira (posterior a 1910).

O referido documento refere-se a um contracto celebrado em 1860 entre o Duque da Terceira, herdeiro de Henrique de Sousa, e José Farinha Relvas de Campos, da Golegã, que assim passou a ser dono de todas as propriedades da dita capela de que faziam parte todos os casais aqui mencionados, para além de outros bens.
 
Por curiosidade,o caminho-de-ferro, com a estação incluída, desde o pontão no campo das Cordas até à estrada da Malã, corre sempre por terras pertencentes a vários dos casais enumerados, por outro lado a história da CP diz que o Entroncamento se formou em 1864, quando aí se fez a junção entre as linhas do Norte e do Leste. Coincidências... 
 
1 Artur Gonçalves, Mosaico Torrejano, Torres Novas, 1936, 3ª ed., p.217.
2 Este Manuel Fernandes Castelo, meu 9¬ļ av√ī paterno, tinha mais de 600 descendentes na freg. de Riachos no fim do s√©c. XIX.
3 Os registos referem sempre ‚ÄúCasal de Marcos Ferreira‚ÄĚ ou ‚ÄúCasal de Marcos Ferreira Soares‚ÄĚ e n√£o o nome ‚ÄúCasal Marques Ferreira‚ÄĚ actualmente utilizado.
4 Torre do Tombo, pesquisa online: http://digitarq.dgarq.gov.pt, C√≥digo de refer√™ncia PT/TT/MC/2/224, Morgados e capelas, N√ļcleo Antigo 224 e 225.
5 Entre parêntesis indica-se a referência mais antiga encontrada nos Reg. Paroquiais da freguesia de Santiago.

 

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