o riachense

TerÁa,
21 de Janeiro de 2020
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Jardins de Riachos no ver√£o

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Porque uma terra como Riachos só tem sentido se houver qualidade de vida.
 
Na semana passada fizemos um piquenique no Parque 25 de Abril. Os cachopos andaram de triciclo √† vontade na parte de cima, ao p√© das mesas feias e funcionais, passavam a alta velocidade para a parte de baixo, onde corriam maratonas no ringue e, a gargalhadas estridentes, mandavam uns pontap√©s desengon√ßados na bola. √Č tudo aberto e perfeitamente vis√≠vel do s√≠tio das mesas. Na plataforma ajardinada l√° de cima, faz√≠amos joguitos e brincadeiras com eles, regressando pontualmente ao conv√≠vio comensal do encontro de fam√≠lia que se passava ali ao lado. A luz j√° alaranjada do sol poente, conforme o vento dava nos ramos indomesticados dos gigantes de seiva, fazia padr√Ķes oscilantes de sombra sobre as quiches em cima da mesa. Quando nos cans√°mos de ir bebericar ao repuxo, fomos buscar umas minis e uns sum√≥is ao Machado e empurr√°mos mais uns past√©is de bacalhau.
 
A realidade do piquenique n√£o foi t√£o rom√Ęntica quanto fa√ßo aqui parecer (podia ter mencionado que um dos putos caiu porque a trotinete empe√ßou num lancil mal encaixado, ou que outro se recusou terminantemente a ir andar de baloi√ßo por n√£o querer andar na areia, nem de longe t√£o confort√°vel quanto o piso sint√©tico dos parques infantis modernos), mas para os adultos foi tudo 100%. V√°rios diziam: ¬ęj√° aqui n√£o vinha h√° mais de dez anos. Ou vinte!¬Ľ.
 
A verdade √© que conseguimos, quase sempre, ignorar os quadradinhos das redes de pris√£o, e ver que o jardim mais velho de Riachos tem dignidade e utilidade. Precisa de manuten√ß√£o, mas √© um privil√©gio poder fazer um piquenique num espa√ßo destes bem no centro da povoa√ß√£o. No entanto, uma das pessoas telefonou-nos √† hora marcada, porque estavam todos atrasados menos ela. ¬ęMas afinal est√°s aonde?¬Ľ. Apesar de lhe termos dito que era no ringue, ela ouviu Jardim da Vila. J√° nem sabemos o que chegou primeiro ao jardim do ringue, se a degrada√ß√£o ou o preconceito.
 
Os passeios ao Tocha. A procura de ar fresco fora de casa nos ser√Ķes quentes que o nosso ver√£o j√° come√ßa a querer obrigar. O Jardim da Vila, projectado na sua ess√™ncia como um enorme, lindo e fresco relvado, como nunca Riachos conheceu excepto numa rotunda, j√° s√≥ tem palha seca e buracos que fazem logo imaginar pulgas e formigas enormes, das que picam. Sentados na relva n√£o d√°, portanto. Mas o lugar faz lembrar aqueles o√°sis no meio de um triste sub√ļrbio citadino, √© aberto para o c√©u, tem um percurso circulante em pavimento colorido que apela √† passeata, tem um parque infantil com atrac√ß√Ķes das modernas, bancos confort√°veis, caf√©s ali ao lado, um repuxo, casas de banho. As √°rvores, temos de esperar que cres√ßam durante uns anos para terem piada, vamos a ver se a ganham. Mas fica mesmo ao p√© da casa de muita gente.
 
Passados dez minutos percebemos o que est√° mal. N√£o √© a falta de relva, pois essa todos lhe tra√ßaram o destino que teve desde o dia 25 de Abril de 2010, quando foi inaugurada com grande circunst√Ęncia. S√£o os candeeiros. Durante o dia s√£o apraz√≠veis √† vista, com o seu design moderno. √Ä noite n√£o se v√™em porque est√£o quase todos apagados. √Č de noite fechada e as pessoas que ali andam n√£o passam de silhuetas negras. √Äs vezes est√£o dez ou quinze putos a andar nos baloi√ßos, com as pupilas abertas no m√°ximo, e t√™m de calcular a dist√Ęncia pelo som das vozes.
 
H√° que poupar na conta da luz, dizia a autarquia aqui h√° tempos quando implementou o seu plano de austeridade na ilumina√ß√£o p√ļblica em locais seleccionados. Mais uma machadada no efeito de recupera√ß√£o urban√≠stica do Bairro do Tocha que podia ter sido a fun√ß√£o do Jardim da Vila.
 
Acendam as luzes, porra!
Tanta coisa para dizer isto.
 
Actualizado em ( Quarta, 30 Julho 2014 14:04 )  
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