o riachense

Sexta,
28 de Julho de 2017
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A cultura, o desporto, a política e o dinheiro

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Saltam à vista sinais preocupantes para a vida cultural de Torres Novas, conhecida desde há poucos anos como a principal referência no distrito, um pilar, uma pedrada no charco regional da diversidade e acesso a espectáculos de qualidade. Para simplificar designa-se as actividades artísticas e de entretenimento pelo termo ‘cultura’.
 
Parece que os problemas surgiram todos ao mesmo tempo: a notícia da provável extinção da Turrisespaços, a chamada de atenção dos funcionários da empresa para a pouca produtividade dos serviços públicos análogos (um lugar-comum que não pára de se reproduzir), a resposta à altura dos funcionários da Câmara, o cancelamento das festas da cidade porque se esgotou o dinheiro na Feira Medieval e, por fim, desemboca-se na saída do director artístico do Virgínia para voos mais altos.
 
Vem aí agora o grande teste à perenidade da ambiciosa política cultural da Câmara, iniciada há oito anos. Começa a surgir a estranha, mas demasiadas vezes comum, sensação de que se queimaram os foguetes todos depressa demais.
 
Lembramo-nos tão bem das agendas culturais (cuja intensidade tem ultimamente chegado às actividades desportivas) de encher o olho, colmatadas com umas ecléticas Festas do Almonda, como uma espécie de agenda do Vírgina duplicada e condensada numa semana de grande riqueza programática celebrando a aposta nos espectáculos (e agora no desporto) como elemento decisivo de atracção de visitantes e potenciador da qualidade de vida dos habitantes.
 
Devemos então habituarmo-nos à redução drástica da oferta cultural e desportiva na nossa terra? O verão poderá ser quente no tratamento deste problema.
 
As preocupações dos trabalhadores da Turrisespaços, expostas na Assembleia Municipal, são bem justificadas ao verificarmos as implicações decorrentes da necessária abertura de concursos públicos para a admissão de funcionários e as complicações bem conhecidas pelas Câmara, hoje em dia, para abrir lugares no quadro, em especial se forem 30 de uma vez.
 
E a preocupação estende-se às orgânicas que gerem os equipamentos desportivos, cujo livre acesso em boas condições de funcionamento, em tempos democráticos, sempre fez parte do direito das populações.
 
Se não existissem os limites legais para a Câmara financiar a receita da empresa através da contratação de serviços podíamos dizer mais uma vez: a ideia é boa, mas a Câmara não tem dinheiro para ela.

2
Inauguramos nesta edição a rubrica Café Central. Nele, Carlos Tomé regressa ao estilo de escrita em que recupera pequenas memórias de gente de Riachos, neste caso de gente castiça que frequentou o Café Central no final da década de 1960 e em toda a década de 70. Com base em pequenos acontecimentos, expressões ou características dos personagens, conhecidos de todos, nem que seja pelo nome, vai ligando a narrativa a outras memórias de Riachos dessa época, numa mistura suculenta entre realidade e ficção. São histórias que resultam de uma visão pessoal, mas baseadas em factos. Esperemos que desfrute tanto delas quanto nós.

Actualizado em ( Quinta, 10 Julho 2014 15:41 )  

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