Carlos Manuel PereiraÂ
Por volta de 1754,o doutor Francisco António de Sousa Cid, da quinta do Minhoto, terá mandado fazer um lagar no sÃtio que, por acaso do destino, conserva ainda o topónimo de Lagar Novo . Eu sei que acaso e destino são a mesma coisa. Mas, segundo me disseram, terá sido mesmo por um acaso, um acaso do destino, que um nome com mais de duzentos anos não foi parar ao lixo. Adiante, vamos ver como surgiu o nome.
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“Em os doze dias de Março de mil setecentos e cinquenta e quatro anos baptizei... a José filho legÃtimo de LuÃs Antunes e de sua Mulher Maria Rodrigues naturais desta freguesia e moradores ao Lagar novo...† e, à margem do assento, o padre acrescentou “Casal do Lagarâ€. Não diz o registo aonde fica este Lagar novo e no assento do baptismo de mais um filho daquele LuÃs Antunes, em 1762, aparece simplesmente “... moradores no Casal novo...â€. Finalmente, no ano seguinte, aquando do casamento da filha mais velha do mesmo LuÃs Antunes, o assento diz que “... se receberam José Rodrigues [Castelo]... do lugar dos Riachos... com Isabel Maria filha de LuÃs Antunes e de sua mulher... moradores no casal do Lagar novo, limite do lugar dos Riachos e também desta freguesia...â€.Â
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Ficamos, sem qualquer dúvida, a saber que se trata do mesmo Lagar Novo que nós conhecemos, ali junto à estação, confirmado em 1765, “... baptizei... Ana filha de Manuel António natural da quinta do Melo junto aos Riachos... foram Padrinhos António Lopes Sapateiro morador no seu casal novo junto ao Lagar do Dr. Francisco António...†e em 1773, “... baptizei a José filho de António Lopes [Sapateiro] e de sua Mulher Venância Maria... moradores no seu Casal junto ao Lagar Novo por baixo dos Riachos... foram Padrinhos Manuel Rodrigues dos Riachos e Maria Joaquina Mulher de Manuel Pereira da quinta do Minhoto...â€.
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Até cerca da década de 1830 apenas se registam eventos relacionados com descendentes das famÃlias dos ditos LuÃs Antunes e António Lopes. A partir de então, com a chegada do comboio, o lugar cresceu rapidamente até atingir cerca de 30 famÃlias nos finais daquele século.
Para além das quintas do Minhoto e do Melo, aparecem referidos para as bandas do sul, os seguintes casais (entre parêntesis a data da primeira ocorrência nos registos paroquiais da freguesia de Santiago):
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• Castelo Velho (1539) e Porto da Várzea (1540).
• Casal da Raposa “ao porto da Várzea†(1674).
• Casal do Seco“que era o dos Apóstolos junto à quinta do Minhoto†(1668).
• Casal da Fonte do Pote (1671), Casal do Magro (1690) e Casal da Volta (1756).
• Casal do Lavra (em 1704 designado por casal do Desembargador e em 1722 chamado casal de Manuel Lopes do Lavre).
• Casal dos Pinheiros (1638) e Casal das Maias, “junto ao casal dos Pinheiros†e que veio a ser incluÃdo no Lagar Novo (1728).
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Voltando à s famÃlias que “inauguraram†o Lagar Novo. Lembram-se do artigo do mês passado que falava nos nomes dos filhos de Manuel Lopes e Sebastiana Nunes? Este Manuel Lopes foi o filho mais velho do sobredito António Lopes.
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Dos descendentes de LuÃs Antunes e Maria Rodrigues , vou destacar o filho Tomé Rodrigues que foi pai de Manuel Rodrigues Tomé que foi pai de António Tomé (repare-se na evolução do apelido, de Antunes e Rodrigues até ficar apenas Tomé). Deste António Tomé, em linha recta, sucederam-se três gerações de barbeiros, o filho José LuÃs Tomé, o neto Manuel Tomé e o bisneto  que continua em actividade). Do mesmo António Tomé descenderam, por via da filha Maria Amada casada com José Madeira), os netos José e Manuel Tomé Madeira, igualmente barbeiros e que partilhavam o mesmo estabelecimento, do qual fui freguês. Lembro-me perfeitamente de ver o Manuel, que era mudo, a “discutir†acaloradamente os resultados do futebol ou do ciclismo, enquanto o irmão José, com uma atitude sempre compenetrada e um ar circunspecto, o mandava, insistentemente, calar...










