o riachense

TerÁa,
14 de Julho de 2020
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

(I) Os nomes que servem para chamar as pessoas

Enviar por E-mail Vers√£o para impress√£o PDF

Este é o primeiro artigo da rubrica "Somos todos primos", de Carlos Pereira, sobre os apelidos de Riachos. 

Carlos Manuel Pereira 

Quem julga que os apelidos do seu nome t√™m alguma import√Ęncia para saber a origem dos seus antepassados, ou a sua eventual rela√ß√£o de parentesco com outras pessoas que usem esses mesmos apelidos, poder√° estar, muito provavelmente, enganado. Ao contr√°rio, outros casos h√°, em que n√£o se suspeitando disso, de facto existem antepassados comuns. Mas ent√£o porque √© que os apelidos que n√≥s usamos poder√£o ser assim t√£o pouco significativos?¬†
 
Tomemos, por exemplo, o meu sobrenome que diz ser eu Sousa, pelo lado materno, e Pereira, pelo lado paterno. Vamos agora recuar at√© 1706, ano em que se casaram Manuel Francisco e Maria Pereira (6os av√≥s). Ora, considerando que descendo em linha recta de Manuel Francisco, deveria ter o apelido paterno de Francisco. Por√©m, o filho Joaquim (5¬ļ av√ī) escolheu ser Joaquim Pereira, talvez por ser o apelido Francisco muito comum para estas bandas, existindo, por exemplo, os Franciscos que usavam as alcunhas de Formigo, Redondo ou Farinha para se distinguirem. Quanto ao apelido Pereira, foi mantido na fam√≠lia desde a√≠.¬†
 
Vamos ver agora o que se passou do lado do meu apelido materno. Recuemos at√© 1669, ano do casamento de Ant√≥nio Gomes e Maria Francisca (7os av√≥s). Considerando que o meu av√ī materno descende em linha recta deste Ant√≥nio Gomes, ent√£o a minha m√£e deveria ter recebido o apelido Gomes que, por sua vez, teria passado para mim. E eu usaria hoje o sobrenome Gomes Francisco (em vez de Sousa Pereira). E j√° agora podemos ver de onde vem o Sousa. Aquele meu av√ī Ant√≥nio Gomes teve um neto que se chamou Jos√© Gomes e que casou com Maria de Sousa em 1770. Este casamento ter√° sido algo atribulado, dado que ele veio a falecer com apenas 27 anos. Desse casamento nasceu apenas um filho que ficou √≥rf√£o aos 5 anos e viria a ser conhecido por Jos√© de Sousa. Este apelido manteve-se desde ent√£o e, por curiosidade, este meu av√ī foi o antecessor dos Sousas que ficaram conhecidos pela alcunha de Alag√īa.¬†
 
Para além destas mudanças de apelido que ocorriam com frequência, nomeadamente no caso das mulheres que ora usavam o apelido do pai, ora o da mãe, outros casos existem em que os apelidos foram substituídos por alcunhas (Inverno, Chora, Triguinho, Idéia, etc), ou por nomes próprios (Clara, Rito, Luz, Leonor, Santana, Trindade, Maurício, etc), ou pelos nomes dos lugares de origem (Cascão, Arganil, Coimbrão, Barroca, Rainha, etc.). 
Acontece que, desde tempos muito antigos, era costume formar os nomes apenas com o prenome recebido no baptismo e um apelido de família ao qual se juntava, quando era necessário, uma alcunha, uma profissão ou o local de origem da pessoa. No caso dos Riachos, nota-se que a partir do século XVIII os homens, que usavam o apelido do pai em mais de 90% dos casos, passaram a acrescentar, com muita frequência, o apelido da mãe para criarem nomes distintos entre famílias.
 
Esta pr√°tica muito antiga na Pen√≠nsula Ib√©rica, levou a que os espanh√≥is oficializassem esse costume na sua lei do registo civil, dizendo que a seguir ao nome pr√≥prio viria o apelido do pai, por ser o mais importante, e o √ļltimo seria o da m√£e. Acontece que em Portugal, a lei do registo civil de 1928, a primeira lei que estabeleceu regras para a forma√ß√£o dos nomes, se imp√īs contra esse h√°bito de s√©culos e mandou que, a seguir aos nomes pr√≥prios, se usassem at√© quatro apelidos, devendo os √ļltimos, ou pelo menos o √ļltimo, ser do pai. Esta lei levou a que, nos casos dos nossos av√īs que usavam apelidos da m√£e em √ļltimo lugar (Rodrigues da Luz, Rodrigues Rito, Sousa Barroso, Chora Barroso, Sim√Ķes Barroso, Sim√Ķes Santana, Nunes Maur√≠cio), acabassem por transmitir aos filhos n√£o o apelido mais importante da fam√≠lia, que era o que se seguia ao nome pr√≥prio, mas o apelido da m√£e por ser este o que aparecia em √ļltimo lugar. E assim aconteceram muitas trocas de apelidos que s√£o o resultado da aplica√ß√£o incorrecta dessa nova lei e n√£o trocas feitas por se julgarem uns apelidos mais importantes que outros, ao contr√°rio do que muitos julgam.¬†

Actualizado em ( Quinta, 30 Janeiro 2014 12:52 )  
{highslide type="img" height="200" width="300" event="click" class="" captionText="" positions="top, left" display="show" src="http://www.oriachense.pt/images/capa/capa801.jpg"}Click here {/highslide}

Opini√£o

 

António Mário Lopes dos Santos

Agarrem-me, sen√£o concorro!

 

Jo√£o Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?
Faixa publicit√°ria
Faixa publicit√°ria
Faixa publicit√°ria
Faixa publicit√°ria