o riachense

SŠbado,
23 de Setembro de 2017
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José Moreira

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 Homens e mulheres de fibra

Um dos pilares da nossa economia são as centenas de milhares de profissionais liberais, empresários em nome individual e micro-empresas, que incansavelmente todos os dias vão à luta. Esta categoria engloba uma enorme variedade de profissionais, mais ou menos qualificados, como são exemplo os dentistas, agricultores, pedreiros, vendedores ambulantes, lojistas ou proprietários de cafés e restaurantes, entre outros.
Todos tiveram que fazer pela vida e criar o seu posto de trabalho, tendo que ultrapassar desde o início uma série de obstáculos burocráticos e desmotivadores, com pouco ou nenhum apoio. 
Todos sabem o quão fundamental e preciosa é a luta por conseguir clientes. Todos conhecem bem o sabor amargo dos calotes que alguns clientes lhe passaram. Todos sabem que não podem contar para nada com a justiça. Estão por sua conta.
Indignam-se com a injusti√ßa que √© ter de entregar IVA ao Estado por um servi√ßo que j√° prestaram mas que ainda n√£o lhes foi sequer pago. Recordam as in√ļmeras noites em claro a fazer contas de cabe√ßa e a magicar como √© que v√£o pagar as despesas, ou fazer face aos compromissos assumidos. Para eles os feriados n√£o significam um let√°rgico descanso mas sim uma oportunidade de neg√≥cio. Muitos trabalham mais de 12 horas por dia, alguns 7 dias por semana e outros s√≥ fecham o estabelecimento no dia de Natal, no Ano Novo e no Domingo de P√°scoa. Por vezes t√™m a ousadia de tirar 10 dias de f√©rias mas muitas das vezes as f√©rias s√£o para darem uma pintura ao estabelecimento. N√£o sabem o que √© estar doente ou ir para a baixa. N√£o √© uma depress√£o ou um pulso partido que os inibe de ir trabalhar.
S√£o homens e mulheres de fibra. De muita fibra mesmo. N√£o se deixam derrotar √† primeira. Nem sequer √† segunda ou √† terceira. Quando v√£o ao ch√£o rapidamente se levantam. N√£o entopem os Centros de Emprego, porque √©-lhes negado esse direito mas tamb√©m porque na sua maioria tamb√©m n√£o o quereriam. N√£o fazem greves, pois a √ļnica coisa que pedem √© que os deixem trabalhar e n√£o lhes criem mais obst√°culos.
Riem-se, indignam-se e revoltam-se com algumas reivindica√ß√Ķes de outros trabalhadores cujos representantes n√£o saem da comunica√ß√£o social. Com a autoridade que os calos das m√£os lhes conferem, sentem que a discrep√Ęncia entre deveres e direitos que existe nos diferentes trabalhadores da sociedade civil chega a ser grotesca e surreal. T√™m raz√£o. T√™m toda a raz√£o mesmo. Mas no entanto as suas vozes muito raramente se ouvem.
Muitas vezes mant√™m o seu neg√≥cio bem para l√° dos 70 anos e enquanto as for√ßas lhe permitem. O trabalho est√°-lhes t√£o entranhado na carne que o que verdadeiramente lhes aterroriza √© a simples ideia de n√£o terem ocupa√ß√£o. Recordo o meu av√ī enquanto m√©dico de Riachos, que adiou a reforma at√© ao limite de idade e deu consultas at√© quase aos 80 anos. Desde cedo ele me transmitiu os valores do trabalho da melhor forma que existe. Pelo exemplo!
Da minha parte aqui fica a mais que merecida homenagem a toda esta gente que foi à luta com bravura e afinco, conquistando um lugar na sociedade que de outra forma lhe será negado.

Actualizado em ( Quarta, 18 Setembro 2013 11:56 )  

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