o riachense

Segunda,
29 de Maio de 2017
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

José Moreira

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF
 Homens e mulheres de fibra

Um dos pilares da nossa economia são as centenas de milhares de profissionais liberais, empresários em nome individual e micro-empresas, que incansavelmente todos os dias vão à luta. Esta categoria engloba uma enorme variedade de profissionais, mais ou menos qualificados, como são exemplo os dentistas, agricultores, pedreiros, vendedores ambulantes, lojistas ou proprietários de cafés e restaurantes, entre outros.
Todos tiveram que fazer pela vida e criar o seu posto de trabalho, tendo que ultrapassar desde o início uma série de obstáculos burocráticos e desmotivadores, com pouco ou nenhum apoio. 
Todos sabem o quão fundamental e preciosa é a luta por conseguir clientes. Todos conhecem bem o sabor amargo dos calotes que alguns clientes lhe passaram. Todos sabem que não podem contar para nada com a justiça. Estão por sua conta.
Indignam-se com a injustiça que é ter de entregar IVA ao Estado por um serviço que já prestaram mas que ainda não lhes foi sequer pago. Recordam as inúmeras noites em claro a fazer contas de cabeça e a magicar como é que vão pagar as despesas, ou fazer face aos compromissos assumidos. Para eles os feriados não significam um letárgico descanso mas sim uma oportunidade de negócio. Muitos trabalham mais de 12 horas por dia, alguns 7 dias por semana e outros só fecham o estabelecimento no dia de Natal, no Ano Novo e no Domingo de Páscoa. Por vezes têm a ousadia de tirar 10 dias de férias mas muitas das vezes as férias são para darem uma pintura ao estabelecimento. Não sabem o que é estar doente ou ir para a baixa. Não é uma depressão ou um pulso partido que os inibe de ir trabalhar.
São homens e mulheres de fibra. De muita fibra mesmo. Não se deixam derrotar à primeira. Nem sequer à segunda ou à terceira. Quando vão ao chão rapidamente se levantam. Não entopem os Centros de Emprego, porque é-lhes negado esse direito mas também porque na sua maioria também não o quereriam. Não fazem greves, pois a única coisa que pedem é que os deixem trabalhar e não lhes criem mais obstáculos.
Riem-se, indignam-se e revoltam-se com algumas reivindicações de outros trabalhadores cujos representantes não saem da comunicação social. Com a autoridade que os calos das mãos lhes conferem, sentem que a discrepância entre deveres e direitos que existe nos diferentes trabalhadores da sociedade civil chega a ser grotesca e surreal. Têm razão. Têm toda a razão mesmo. Mas no entanto as suas vozes muito raramente se ouvem.
Muitas vezes mantêm o seu negócio bem para lá dos 70 anos e enquanto as forças lhe permitem. O trabalho está-lhes tão entranhado na carne que o que verdadeiramente lhes aterroriza é a simples ideia de não terem ocupação. Recordo o meu avô enquanto médico de Riachos, que adiou a reforma até ao limite de idade e deu consultas até quase aos 80 anos. Desde cedo ele me transmitiu os valores do trabalho da melhor forma que existe. Pelo exemplo!
Da minha parte aqui fica a mais que merecida homenagem a toda esta gente que foi à luta com bravura e afinco, conquistando um lugar na sociedade que de outra forma lhe será negado.

Actualizado em ( Quarta, 18 Setembro 2013 11:56 )  

Opinião

 

João Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?

 

João Triguinho Lopes

A grande feira de todas as contradições