o riachense

Sexta,
24 de Novembro de 2017
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José Moreira

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 O Contribuinte
Escrevo este artigo para dar por momentos voz a uma maioria silenciosa que tem poucos ou nenhuns direitos, carrega uma albarda cheia de deveres e não tem nenhum sindicato por trás que faça ouvir as suas queixas. O Contribuinte.
Façamos o seguinte exercício: Actualmente um cidadão da classe média-baixa que ganhe 1500€ Brutos por mês, traz para casa pouco mais de 1000€, dependendo do subsídio de almoço e do número de dependentes a seu cargo. Mas custa na realidade mais de 26000€ por ano à sua entidade patronal, devido a todas as contribuições para a Segurança Social e retenções de IRS.
Se tivermos em conta que quando for comprar qualquer coisa com esses 1000 euros, ainda entrega mais 23% em IVA ao Estado, concluímos que este Estado arrecada mais de 60% do fruto do trabalho da classe média. Mais de 60% note bem. Juntem-se ainda impostos pomposos como IMI, IA, ISP, taxa de audiovisual, défices tarifários e afins e perceberemos que não estamos muito longe dos antigos regimes feudais, ainda que encapotados numa suposta democracia que nos dá a ilusão de sermos livres de escolher o nosso destino, mas que não passa disso. A Ilusão.
E se para sermos legítimos cidadãos portugueses temos o dever legal e a obrigação moral de contribuir, também temos o direito a que nos respondam: Em nome de quê, para quê e em troca de quê?
Não é seguramente em nome da reforma que a minha geração não terá e que me faz temer seriamente pelo futuro. Não é para que tenhamos acesso a uma justiça que é caríssima e vergonhosa, ou a uma educação que se degrada e se desgoverna a olhos vistos. Não é em troca de um sistema de saúde que faz cortes e encerra serviços locais até se tornar inútil. E seguramente também não será em troca de vias rápidas onde pagamos, generosamente leia-se, todo e cada quilómetro que percorremos.
Por isso, de cada vez que anunciam uma mega-obra assusto-me, de cada vez que um banco pede auxílio financeiro estremeço, de cada vez que um sindicato da Função Pública reivindica novos aumentos salariais vacilo.
Estão prestes a passar um novo cheque. E quem o vai assinar é o mesmo de sempre. O contribuinte.
Mais do que a Austeridade que nos aperta o cinto, o verdadeiro problema do país é esta Fiscalidade que nos sufoca.

Actualizado em ( Quinta, 05 Setembro 2013 19:17 )  

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