o riachense

TerÁa,
25 de Abril de 2017
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José Moreira

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 O Contribuinte
Escrevo este artigo para dar por momentos voz a uma maioria silenciosa que tem poucos ou nenhuns direitos, carrega uma albarda cheia de deveres e não tem nenhum sindicato por trás que faça ouvir as suas queixas. O Contribuinte.
Fa√ßamos o seguinte exerc√≠cio: Actualmente um cidad√£o da classe m√©dia-baixa que ganhe 1500‚ā¨ Brutos por m√™s, traz para casa pouco mais de 1000‚ā¨, dependendo do subs√≠dio de almo√ßo e do n√ļmero de dependentes a seu cargo. Mas custa na realidade mais de 26000‚ā¨ por ano √† sua entidade patronal, devido a todas as contribui√ß√Ķes para a Seguran√ßa Social e reten√ß√Ķes de IRS.
Se tivermos em conta que quando for comprar qualquer coisa com esses 1000 euros, ainda entrega mais 23% em IVA ao Estado, concluímos que este Estado arrecada mais de 60% do fruto do trabalho da classe média. Mais de 60% note bem. Juntem-se ainda impostos pomposos como IMI, IA, ISP, taxa de audiovisual, défices tarifários e afins e perceberemos que não estamos muito longe dos antigos regimes feudais, ainda que encapotados numa suposta democracia que nos dá a ilusão de sermos livres de escolher o nosso destino, mas que não passa disso. A Ilusão.
E se para sermos legítimos cidadãos portugueses temos o dever legal e a obrigação moral de contribuir, também temos o direito a que nos respondam: Em nome de quê, para quê e em troca de quê?
N√£o √© seguramente em nome da reforma que a minha gera√ß√£o n√£o ter√° e que me faz temer seriamente pelo futuro. N√£o √© para que tenhamos acesso a uma justi√ßa que √© car√≠ssima e vergonhosa, ou a uma educa√ß√£o que se degrada e se desgoverna a olhos vistos. N√£o √© em troca de um sistema de sa√ļde que faz cortes e encerra servi√ßos locais at√© se tornar in√ļtil. E seguramente tamb√©m n√£o ser√° em troca de vias r√°pidas onde pagamos, generosamente leia-se, todo e cada quil√≥metro que percorremos.
Por isso, de cada vez que anunciam uma mega-obra assusto-me, de cada vez que um banco pede aux√≠lio financeiro estreme√ßo, de cada vez que um sindicato da Fun√ß√£o P√ļblica reivindica novos aumentos salariais vacilo.
Estão prestes a passar um novo cheque. E quem o vai assinar é o mesmo de sempre. O contribuinte.
Mais do que a Austeridade que nos aperta o cinto, o verdadeiro problema do país é esta Fiscalidade que nos sufoca.

Actualizado em ( Quinta, 05 Setembro 2013 19:17 )  

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