o riachense

SŠbado,
13 de Julho de 2024
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

André Lopes

Enviar por E-mail Vers√£o para impress√£o PDF
Há espírito comunitário em Riachos?

Em Riachos n√£o h√° esp√≠rito comunit√°rio, o que h√° √© capelinhas. Somos apenas a soma das partes, n√£o mais que isso. As colectividades fazem tantas coisas, n√£o mostram sinais de desagrega√ß√£o e at√© crescem e fazem feitos not√°veis. Mas faz√™-las em conjunto, pela terra, pelo bem-estar comum fora da capelinha? A C√Ęmara que fa√ßa se quiser, que √© para isso que lhe pagamos.
Esta semana votou-se na assembleia de freguesia a manutenção do mercado na posse da Junta, posta em causa pelo aumento da renda de 27 para 225 euros. Um acto sensato, aprovado por unanimidade. O presidente da Junta anunciou então que a Junta vai, a partir de agora, fazer cortes noutras rubricas do orçamento anual para conseguir pagar esta renda. Afinal, o mercado é um símbolo local e, se fechasse, enfraquecia ainda mais a vida da vida.
Segundo o presidente da Junta, a √ļltima vez que o propriet√°rio apresentou o pre√ßo da venda, era pouco mais de 50 mil euros. Um valor rid√≠culo, numa altura em que vemos, entre tantos outros exemplos, a C√Ęmara a ter de pagar 300 mil euros de indemniza√ß√£o a uma construtora s√≥ porque insistiu no arranque precipitado de mais uma obra de regime (Convento do Carmo).¬†
50 mil m√≠seros euros por 500 m2 no centro da vila, com liga√ß√£o directa √† Casa do Povo, ao Largo e √† mem√≥ria colectiva de Riachos, n√£o merecem que se mexa uma palha? J√° nem falo da parte da Junta, mas da Assembleia, √† qual o presidente da junta decidiu, e muito bem, remeter a decis√£o sobre o mercado. O Atl√©tico arranja todos os anos 50 ou 60 mil euros para a sua actividade, o rancho fez agora uma noite de folclore em que gastou 3 ou 4 mil euros, a festa do padroeiro ter√° feito nos √ļltimos anos dezenas de milhares de euros na sua realiza√ß√£o anual, √© preciso dar mais exemplos, senhora assembleia de freguesia, de como se arranja dinheiro?
Uns dizem: porqu√™ comprar, se depois n√£o haveria dinheiro para recuperar? Resposta simples: para ficar patrim√≥nio, uma heran√ßa do nosso poder local. Para termos coisas realmente nossas (ao contr√°rio do pavilh√£o que tantos se indignam por ser ‚Äúem‚ÄĚ Riachos e n√£o ‚Äúde‚ÄĚ), adquiridas com a nossa determina√ß√£o, para podermos dizer aos nossos filhos que aquela obra n√£o foi inaugurada por um excelent√≠ssimo senhor presidente, mas sim gra√ßas ao querer daqueles que se chegaram √† frente nessa altura, em nome de Riachos.
Em suposta crise e sem fundos que permitam qualquer tipo de autonomia além da escolha de que relvas regar em detrimento de outros jardins a secar, só haveria razão para esta, e qualquer freguesia, continuar a existir, se representasse uma comunidade coesa, alinhada com as finalidades altruístas do desenvolvimento através da participação comunitária. Especialmente daqueles que foram eleitos. A freguesia tinha razão para existir se soubéssemos que, quem quer que fosse para a Junta e para a Assembleia, era para ir trabalhar. Trabalhar nos tempos livres, mas trabalhar em conjunto com fins concretos em vista. Agora também o fazem nos tempos livres, mas é para se queixarem que o alcaide não lhes dá nada.
Mas sejamos francos, o que h√° na assembleia de freguesia √© uma hipocrisia total. N√£o se faz nada, n√£o se fez nada nos √ļltimos anos. A maioria dos eleitos v√£o para ali brincar aos pol√≠ticos, fingir que contam para alguma coisa nos destinos da freguesia. Uma novidade lhes dou: a C√Ęmara n√£o pro√≠be a Junta de fazer coisas e de dar abertura √† Assembleia para tamb√©m as fazer.
A org√Ęnica subjacente ao desenvolvimento desta terra deveria ser assim: a Junta (presidente, tesoureiro e secret√°rio) seria a entidade gestora do patrim√≥nio e dos assuntos correntes da freguesia, bem como encarregue da representa√ß√£o junto da C√Ęmara e outros. A assembleia de freguesia seria, na pr√°tica, o poder executivo, reunindo-se frequentemente para propor, discutir e votar ac√ß√Ķes conjuntas, angaria√ß√Ķes de fundos, mobiliza√ß√Ķes da popula√ß√£o para objectivos concretos, candidaturas a fundos, etc. A Junta ficava nos cornos do boi mas a Assembleia dava-lhe motivos de orgulho e obra feita. Uma rela√ß√£o de reciprocidade que obrigava os eleitos ao mais simples de fazer: p√īr de lado os compromissos pr√©-eleitorais feitos com os partidos pelos quais concorreram e passar a pertencer simplesmente aos Eleitos de Riachos.
O Farinha Madeira, membro da assembleia municipal, prop√īs a cria√ß√£o de um fundo para a aquisi√ß√£o ou arrendamento do mercado. Todos os riachenses eleitos nas assembleias de freguesia e municipal, bem como todos os nomeados pelos partidos para as mesas de voto em actos eleitorais, cederiam metade do que lhes √© pago pela presen√ßa nas sess√Ķes ao longo do mandato e em cada elei√ß√£o. Essa verba serviria para fazer um mealheiro para depois comprar o mercado. Em meia d√ļzia de anos chegaria aos v√°rios milhares de euros. Era um princ√≠pio.
‚ÄúMas que ideia absurda e ut√≥pica‚ÄĚ ter√£o pensado uns, a julgar pelos sorrisos amarelos ou express√Ķes cerradas. ‚ÄúUps, ep√° isto √© uma ideia perigosa, se isto pega‚Ķ‚ÄĚ ter√£o pensado outros. Ouviu-se mesmo na sala: ‚Äúent√£o quer dizer, n√≥s j√° vimos para aqui trabalhar. A popula√ß√£o √© que tem de entrar nessas coisas‚ÄĚ. Errado. A popula√ß√£o precisa √© de modelos, exemplos que lhe infectem o subconsciente com sentido comunit√°rio.
Que raio, tantos anos a ver as colectividades a trabalhar bem, e n√£o aprendem nada?

Actualizado em ( Quarta, 19 Junho 2013 11:11 )  
{highslide type="img" height="200" width="300" event="click" class="" captionText="" positions="top, left" display="show" src="http://www.oriachense.pt/images/capa/capa801.jpg"}Click here {/highslide}

Opini√£o

 

António Mário Lopes dos Santos

Agarrem-me, sen√£o concorro!

 

Jo√£o Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?
Faixa publicit√°ria
Faixa publicit√°ria
Faixa publicit√°ria
Faixa publicit√°ria