o riachense

TerÁa,
25 de Abril de 2017
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Cangas

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Uma das peças mais reproduzidas pelos artesãos do Museu Agrícola é a canga. Há-as às dezenas na oficina, desde em miniatura com diversos tamanhos, até às que são feitas segundo a escala real.

Completando o conjunto funcional, a chavelha e os arreios, a canga tem hoje um lugar de destaque no simbolismo agregador da identidade rural riachense, que vai buscar parte da sua diferencia√ß√£o √† import√Ęncia dos boieiros na organiza√ß√£o social passada.

Permeia no conjunto também um peculiar apelo estético nas suas formas, que a transformaram no ícone que hoje se exibe orgulhosamente em qualquer parede, ou que se oferece a um amigo visitante.

Tem assim um novo uso em contexto de modernidade, que pode ser evocativo, pedagógico, contemplativo, decorativo ou mesmo utilitário (há quem o use como cabide ou porta-chaves).

Em termos de tecnologia, a alfaia agrícola e os transportes são duas categorias indissociáveis no mundo rural. A canga (ou jugo) de trave simples entra na subcategoria dos instrumentos de atrelagem, através do qual se domina a junta de bois que puxa a alfaia ou o carro. O sistema de tracção é cornal em que, como o próprio nome indica, o boi puxa a canga pela cabeça.

Os bois são amarrados a duas hastes de madeira chamadas cangalhos (ou canzis) através de diversos arreios, cada um com uma denominação específica, conforme a região de onde é originário (por cá são os seguintes: tamoeiro, brocha, sobre-brocha, niaças, secairo).

Feita em madeira de freixo, ulmeiro, laranjeira ou figueira, a canga de trave é a forma mais comum de atrelagem animal em Portugal. A sua forma varia conforme a região ou localidade, apenas ao ponto de ser reconhecível pelos agricultores locais.

A chavelha √© a pe√ßa central que tranca o eixo que liga ao carro ou √† alfaia. H√° a da lavoura, simples, em forma de cunha, e h√° a chavelha de espelhos, elemento eminentemente decorativo, distintivo de cada casa agr√≠cola ou lavrador possuidor de juntas de bois. Este √© o ex-l√≠bris da imag√©tica riachense, equiparado na fun√ß√£o aos jugos de t√°bua do noroeste portugu√™s, estes profusamente decorados com marcas distintivas, para dar ao gado um aspecto mais espectacular. As chavelhas de espelhos t√™m uma forma carater√≠stica, s√£o exclusivamente verdes e vermelhas e substitu√≠am as chavelhas da lavoura durante os cortejos de oferendas e outras exibi√ß√Ķes.

Já as cangas em si não são muito adornadas, contendo apenas sulcos cruzados, provavelmente para identificação imediata do dono. Ainda assim, procure-se um elemento comum a todas elas: um Cinco Saimão (ou Signo de Salomão) em ambos os topos da trave, símbolo de carácter mágico-religioso usado para protecção divina.

 

Actualizado em ( Sexta, 27 Fevereiro 2015 13:07 )  

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