o riachense

Segunda,
29 de Maio de 2017
Tamanho do Texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

Cânhamo

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

Existe no Museu Agrícola um espólio completo sobre a produção do cânhamo na região, composto por objectos e ferramentas (gramadeiras, espadelas, plantas) e documentação (fotografias, trabalhos académicos, publicações oficiais e revistas).

O cânhamo é, para o homem ocidental, uma planta têxtil, um recurso biológico utilizado massivamente na indústria de cordoaria. Hoje em dia a cannabis sativa é mais popular entre nós na sua variedade de droga psicoactiva, há muito usada para esse fim por populações africanas e asiáticas. No entanto, as qualidades físicas de resistência, durabilidade e porosidade das suas fibras fazem com que seja insubstituível nas cordas como no vestuário e calçado de qualidade. Por ser uma planta de calor, os territórios mediterrânicos são adequados para o seu desenvolvimento. No entanto, os fios de cânhamo utilizados actualmente nas indústrias portuguesas de calçado e vestuário são, na sua totalidade, importados.

Historicamente o cânhamo foi ao longo dos séculos objecto de incentivo junto dos lavradores portugueses. Decretos reais anteriores ao século XV estabeleciam que o cânhamo era uma cultura de interesse nacional, especialmente relevante para a produção de cabos e velas para os exploradores portugueses.

Muito mais tarde, o regime de Salazar instaurou um programa de incentivo ao cultivo do cânhamo, de forma a substituir a importação italiana, interrompida devido aos esforços da invasão fascista da Etiópia de 1936.

Feita a propaganda e cedidos os incentivos estatais pró-cânhamo, os lavradores riachenses começaram a receber encomendas da Fiação e Tecidos de Torres Novas. Houve uma verdadeira euforia e corrida à cultura, que teve o seu auge durante a década de 40.

Entretanto o cânhamo mais barato italiano regressou, as taxas aduaneiras baixaram, a Fiação e Tecidos deixou de comprar em 1969 e a campanha nacional terminou em 1971. A atenção dos incentivos oficiais virou-se então para a cultura do sisal nas colónias africanas. Nos 34 anos da campanha, o Ribatejo produziu 90% do cânhamo nacional, nas margens do Almonda e do Tejo, nos concelhos de Torres Novas e Golegã.

As varas de cânhamo existentes no MAR, semeadas há umas boas décadas nas várzeas do Almonda, são de uma robustez impressionante: com mais de 3 metros são exemplares únicos para a memória do labor das árduas tarefas daquela cultura. Apesar de profícua, a lavoura do cânhamo foi a mais marcante nos corpos dos trabalhadores riachenses, como alguns ainda hoje testemunham: ”Aquilo não era para cachopos”.

 

Actualizado em ( Sexta, 27 Fevereiro 2015 13:08 )  

Opinião

 

João Triguinho Lopes

Uma história de Natal

 

Raquel Carrilho

Trumpalhada Total

 

António Mário Lopes dos Santos

Orçamentos, coisas para político ver?

 

João Triguinho Lopes

A grande feira de todas as contradições