o riachense

SŠbado,
23 de Setembro de 2017
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C√Ęnhamo

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Existe no Museu Agr√≠cola um esp√≥lio completo sobre a produ√ß√£o do c√Ęnhamo na regi√£o, composto por objectos e ferramentas (gramadeiras, espadelas, plantas) e documenta√ß√£o (fotografias, trabalhos acad√©micos, publica√ß√Ķes oficiais e revistas).

O c√Ęnhamo √©, para o homem ocidental, uma planta t√™xtil, um recurso biol√≥gico utilizado massivamente na ind√ļstria de cordoaria. Hoje em dia a cannabis sativa √© mais popular entre n√≥s na sua variedade de droga psicoactiva, h√° muito usada para esse fim por popula√ß√Ķes africanas e asi√°ticas. No entanto, as qualidades f√≠sicas de resist√™ncia, durabilidade e porosidade das suas fibras fazem com que seja insubstitu√≠vel nas cordas como no vestu√°rio e cal√ßado de qualidade. Por ser uma planta de calor, os territ√≥rios mediterr√Ęnicos s√£o adequados para o seu desenvolvimento. No entanto, os fios de c√Ęnhamo utilizados actualmente nas ind√ļstrias portuguesas de cal√ßado e vestu√°rio s√£o, na sua totalidade, importados.

Historicamente o c√Ęnhamo foi ao longo dos s√©culos objecto de incentivo junto dos lavradores portugueses. Decretos reais anteriores ao s√©culo XV estabeleciam que o c√Ęnhamo era uma cultura de interesse nacional, especialmente relevante para a produ√ß√£o de cabos e velas para os exploradores portugueses.

Muito mais tarde, o regime de Salazar instaurou um programa de incentivo ao cultivo do c√Ęnhamo, de forma a substituir a importa√ß√£o italiana, interrompida devido aos esfor√ßos da invas√£o fascista da Eti√≥pia de 1936.

Feita a propaganda e cedidos os incentivos estatais pr√≥-c√Ęnhamo, os lavradores riachenses come√ßaram a receber encomendas da Fia√ß√£o e Tecidos de Torres Novas. Houve uma verdadeira euforia e corrida √† cultura, que teve o seu auge durante a d√©cada de 40.

Entretanto o c√Ęnhamo mais barato italiano regressou, as taxas aduaneiras baixaram, a Fia√ß√£o e Tecidos deixou de comprar em 1969 e a campanha nacional terminou em 1971. A aten√ß√£o dos incentivos oficiais virou-se ent√£o para a cultura do sisal nas col√≥nias africanas. Nos 34 anos da campanha, o Ribatejo produziu 90% do c√Ęnhamo nacional, nas margens do Almonda e do Tejo, nos concelhos de Torres Novas e Goleg√£.

As varas de c√Ęnhamo existentes no MAR, semeadas h√° umas boas d√©cadas nas v√°rzeas do Almonda, s√£o de uma robustez impressionante: com mais de 3 metros s√£o exemplares √ļnicos para a mem√≥ria do labor das √°rduas tarefas daquela cultura. Apesar de prof√≠cua, a lavoura do c√Ęnhamo foi a mais marcante nos corpos dos trabalhadores riachenses, como alguns ainda hoje testemunham: ‚ÄĚAquilo n√£o era para cachopos‚ÄĚ.

 

Actualizado em ( Sexta, 27 Fevereiro 2015 13:08 )  

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