Se o livro verde for aprovado, as freguesias de Alcorochel, Lapas, Meia Via, Paço, Parceiros de Igreja, Ribeira Branca e as quatro da cidade (Salvador, Santa Maria, Santiago e São Pedro), serão extintas e agrupadas por não reunirem os critérios de organização territorial definidos no documento.
Depois de uma primeira reunião na Meia Via para discutir a proposta do governo, doze presidentes de Juntas do concelho de Torres Novas voltaram a encontrar-se para debater o assunto, desta vez em Riachos, no passado dia 28. José Conde (Assentis), Abel Sousa (Brogueira), João Serôdio (Paço) e José dos Santos (Pedrógão) não responderam à chamada.Segundo o anfitrião, João Cardoso, apesar dos autarcas não concordarem com o livro verde na generalidade, concordaram com a união das freguesias da cidade, mas nunca com a extinção de freguesias rurais. Apenas o presidente de Lapas considera que a sua freguesia, apesar de urbana, deve ser tratada como rural.
A freguesia de Riachos não está em risco de desaparecer, mas João Cardoso mostra-se solidário com os seus colegas: “As freguesias rurais, mesmo as mais pequenas, são necessárias à s populaçõesâ€. Admite que apesar de o governo poder, sozinho, aprovar o documento, o autarca diz que os interessados têm que se movimentar em defesa das suas freguesias: “Não podemos concordar com tudo e tem de haver cedênciasâ€. O presidente da Junta de Riachos acredita que vai ficar tudo na mesma no que diz respeito à s freguesias rurais.
Por outro lado, Cardoso diz que esta reunião serviu para os autarcas discutirem outros assuntos, como a redução de 5% nas transferências do FEF (Fundo de EquilÃbrio Financeiro), que poderá colocar em causa a sobrevivência de algumas freguesias. “Só nós vamos receber menos dez mil eurosâ€, lastima Cardoso. Apesar do interesse na reunião, não ficou agendado novo encontro.
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Anafre repudia reforma em congresso
A reorganização da administração local, focada nas freguesias, foi duramente criticada no congresso da Associação Nacional das Freguesias, no fim-de-semana de 2 e 3 de Dezembro. Vários comunicadores enalteceram o facto de só as freguesias estarem a ser vistas pelo governo como despesistas e excedentárias, quando na realidade, absorvem apenas cerca de 0,1% do Orçamento de Estado. Outro aspecto, entre tantos outros discutidos com veemência e avisos de mais luta, atirado ao governo, foi o facto de o memorando da troika prever antes de mais a aglomeração de municÃpios, essa sim permitiria a futura poupança substancial, coisa que o Governo “não ousa tocarâ€, como refere um comunicado da Anafre sobre o congresso. Os critérios de classificação das freguesias, os impactos da reforma, os seus objectivos, a perversidade dos procedimentos (“a junção das freguesias sairá mais cara ao Estadoâ€), a discriminação negativa das freguesias, são aspectos que levaram a Anafre a rejeitar esta proposta de reforma e a exigir outra com princÃpios mais consonantes com a realidade do paÃs.
O que é um facto é que o governo prevê a conclusão desta reorganização administrativa no primeiro semestre de 2012, com a extinção de 1800 freguesias num universo de 4259. Miguel Relvas foi ao congresso, dizer que a reforma é mesmo para avançar, “sem adiamentosâ€, acabando por receber apupos de grande parte dos 1700 presentes. O governo, na voz do ministro-adjunto, eleito por Santarém, adiantou que, depois da reforma, a transferência de competências dos municÃpios para as freguesias, maiores, tem de avançar, tendo para isso de ser ultrapassada a resistência actual daqueles em fazê-lo.
População de Alcorochel não quer perder freguesia
Com a abertura do centro de escolar de Riachos, a povoação de Alcorochel viu encerrada a escola primária e o jardim-de-infância no passado mês de Setembro. Agora, ao que parece, existe também intenção por parte do ACES Serra d’Aire de fechar o posto médico, levando ao encerramento da farmácia.
Tais situações irão provocar o abandono de um número cada vez maior de moradores de Alcorochel, contribuindo para o acelerado agravamento do despovoamento desta freguesia que comemora este ano o 100.º aniversário.
Para agravar a situação, com a implementação do livro verde, a freguesia de Alcorochel poderá ser extinta, sem qualquer respeito pela sua história de séculos e pela dignidade dos seus 800 habitantes, fazendo desaparecer a respectiva Junta, provocando a extinção do órgão de poder local que resulta directamente da escolha dos eleitores e que mais próximo está dos seus moradores.
Segundo a CDU, que reuniu com a população no dia 27 de Novembro para debater o assunto, a ser concretizada a extinção da freguesia de Alcorochel, “constituiria a machadada final desferida sobre a dignidade da sua população que deixaria de ter as condições mÃnimas para continuar a viver onde sempre viveu e onde quer continuar a viverâ€.
A população deliberou manifestar a sua recusa relativamente a qualquer pretensão de extinguir, limitar ou modificar por qualquer meio a freguesia, mostrando-se também contra o encerramento do posto médico. Nesse sentido vai realizar um abaixo-assinado em defesa destes dois equipamentos e apelar à junta e assembleia de freguesia de Alcorochel, na qualidade de órgãos representativos da população, para que deliberem no mesmo sentido por ser esta a única posição que defende os seus direitos.
As cerca de 100 pessoas presentes, para além de se pronunciarem a favor das propostas apresentadas, expressaram a sua disponibilidade para outras formas de luta em defesa dos seus direitos.
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